A cibersegurança ainda sofre de alguma opacidade e é necessária alguma simplificação. Por outro lado, é importante perceber que a cibersegurança não sei baseia apenas no investimento e a forma como as empresas a encaram reflete a cultura dos empresários em Portugal. Estas foram algumas das ideias deixadas no painel que debateu a IA e a Cibersegurança e como é qu e a tecnologia impacta na competitividade das empresas. Miguel Almeida, responsável máximo da Cisco em Portugal, destacou que “a quantidade de produtos ou plataformas que podemos ter na nossa empresa, em segurança, é brutal e isso leva a uma complexidade adicional.
“É difícil avançar numa simplificação, tendo em conta essa quantidade”, afirmou o responsável que apontou cinco áreas onde as empresas devem preparar-se para investir em soluções de Inteligência Artificial e cibersegurança (ver caixa ao lado)”, diz.
Alexandre Fonseca, presidente do Conselho Estratégico de Economia Digital da CIP, a cibersegurança está muito longe de ser apenas uma questão referente ao investimento uma vez que, no que concerne às empresas, há um aspeto cultural que deve ser assegurado e que é tão ou mais importante. Mas estarão as empresas conscientes dos riscos digitais que podem enfrentar? Sim e não, conclui o antigo responsável da Altice Portugal: “Há uma consciência para estas temáticas mas não há um grau de preparação em Portugal, num tecido constituído sobretudo por PME. Estudos recentes mostram que em Portugal existe essa consciência, no top management e nas camadas intermédias de gestão. Há uma pressão exterior relativamente a esta temática, com impactos evidentes mas também uma consciência dos colaboradores que estão cada vez mais preocupados com a sua identidade e pegada digital”.
“Nas PME há essa preocupação mas não deixamos de ser latinos porque uma coisa é a consciência e outra é a preparação. Está relacionado com investimento mas também com uma questão cultural que obriga as empresas a agir só perante a casa roubada, digamos em sentido figurado. É preciso estratégia e uma cultura de segurança. O fator humano é relevante mas a empresa deve ter essa cultura de segurança e que essa cultura seja fomentada pela liderança”, destacou.
Alexandre Fonseca realça que a CIP “não fica tranquila” com aquilo que possa acontecer e confessa: “Há muito trabalho a fazer”. Se a tecnologia é “muito importante”, a verdade é que “existe uma vertente comportamental que é extremamente importante e deve ser levada até à gestão, que muitas vezes acha que não precisa dessa formação”.
E como podem as PME preparar-se quando o investimento pode ser avultado? “A segurança digital é uma tema estratégico e por isso tem que ser um desígnio da organização e não apenas uma preocupação da equipa de IT. Qualquer investimento que seja feito tem que estar assente numa estratégia definida a partir do topo, com métricas e satisfação dessas métricas”.
O responsável máximo da Cisco em Portugal defendeu que a elasticidade económica que as empresas têm para investir em Inteligência Aritificial não vai permitir que o façam em outras áreas, como por exemplo a vertente humana.
“A rotatividade que temos hoje em Portugal é incrível, porque há poucas pessoas. Temos muitos portugueses que estão no país, mas não trabalham para o mercado português”, sublinhou.
Miguel Almeida revelou ainda que 86% das empresas estão cientes das ameaças da IA e a sua perceção, assumindo que vão sofrer ataques baseados em Inteligência Artificial, mas que não estão preparadas para responder aos mesmos.
IA: aprender da pior forma
Os desafios e riscos da Inteligência Artificial ganharam maior preponderância para as empresas depois da pandemia e no caso de alguns CEO, esse impacto foi sentido pela negativa. O alerta foi dado por Bruno Castro, CEO da Visionware, no Special Report – IA e Cibersegurança, organizado pelo JE e pela Cisco.
“No pós-Covid os gestores começaram a perceber, alguns da pior maneira, o papel da Inteligência Artificial nas suas empresas”, afirmou, salientando que hoje em dia já não conseguimos ver o que é o risco sem pensar no ciberespaço.
Como tal, o CEO defende que este é o ponto para o qual devemos partir para montar um modelo de governação para proteger as empresas desses riscos. “A Inteligência Artificial veio transformar-se num catalisador para o cibercrime”, referiu.
Bruno Castro alertou para o facto, de que hoje qualquer grupo criminoso consegue ter armas e ferramentas através da IA, estando disponível de uma forma global e sem fronteiras.
“No lado do cibercrime consegue-se hoje tornar um ataque que antes era custoso e demorado, criando um e-mail de phishing através da IA, que o torna mais duradouro e menos dispendioso”, sublinhou.
Trabalhar em conjunto
“Não temos que resolver os problemas todos sozinhos”: essa foi uma das mensagens-chave que o dirigente da CIP deixou neste evento do JE. “As PME têm que trabalhar em conjunto nos vários sectores, a capacidade de trabalhar em rede e de gerar cyber intelligence e partilhar recursos. O outsourcing é fundamental nisto porque há entidades que só se ocupam destes temas. A maior parte das PME em Portugal não têm capacidade para ter um Chief Information Security Officer.
Também é importante olhar para a gestão de risco para que as PMEs possam impactar este tema da cibersegurança. É importante também que se promova a proximidade às pessoas e às empresas”.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com