A empresa de serviços digitais Stratesys deve fechar 2025 com um crescimento de 20% e para o próximo ano deve crescer na mesmo ordem de grandeza. Em 2024 a empresa tinha fechado com uma faturação global de 130 milhões de euros com quatro milhões de euros a terem sido produzidos a partir de Portugal. Inteligência Artificial e cibersegurança passaram a fazer parte das áreas de negócios da organização, em 2024, ano em que foi aberto um novo escritório em Lisboa, e darão o seu contributo como vetores para a expansão deste projeto.
Ao nível global a empresa conta com 1.900 colaboradores e em terras lusas já atingiu uma centena de trabalhadores. Em Portugal, em 2024, a operação cresceu 30%, e até final de 2025 o número de colaboradores deve chegar a 120. A partir de Lisboa presta-se serviços para mais de 100 clientes internacionais, em setores como o financeiro, retalho, indústria e consumo. Entre janeiro e setembro de 2024, as equipas portuguesas estiveram envolvidas em mais de 170 projetos internacionais.
“Temos grandes expetativas para estas áreas [cibersegurança e inteligência artificial] até 2027”, ano em que termina a estratégia planeada pela empresa para o quadriénio, com estas duas áreas a surgirem como “grandes alavancas” do crescimento, revela o diretor da Stratesys em Portugal, Tiago Lopes, ao Jornal Económico (JE).
Relativamente às mais recentes áreas de aposta da Stratesys, Tiago Lopes refere, que no caso da cibersegurança, a grande preocupação dos clientes que procuram a empresa, é a questão da fuga dos dados. A saúde é um dos setores que mais procura as soluções da organização tendo em conta a “informação sensível” por parte dos utentes.
A saúde tem sido das áreas que mais procura a Stratesys influenciada pelas “operações de concentração”, que têm existido no setor, sublinha Tiago Lopes, e por o setor no passado “não ser tão atacado” como agora.
“Também é verdade que para um ciberdelinquente agora como menor esforço consegue atacar uma organização. Com a inteligência artificial as coisas ficaram mais fáceis. Na ciberdelinquência começa-se a ter comportamentos quase de gestão empresarial”, salienta o diretor da Stratesys em Portugal.
A banca é também outra área que tem procurado a empresa, apesar do setor já ter preocupações com as questões da cibersegurança, uma área onde este setor já se “encontra mais maduro”, salienta Tiago Lopes.
“Os ciberdelinquentes têm sempre um foco [na banca] porque na relação de esforço vs payout, com um ataque bem sucedido, na banca, há claramente um maior payout, ou seja, há uma maior probabilidade de terem sucesso com garantias de maior retorno”, sublinha Tiago Lopes.
O diretor da Stratesys em Portugal salienta que no que diz respeito aos ciberataques os colaboradores de uma empresa acabam por ser a “parte mais vulnerável”, pelo que as organizações procuram formar os colaboradores no sentido de “estarem atentos a potenciais riscos”.
Já no caso da inteligência artificial, Tiago Lopes salienta que a Stratesys tem sido procurada por empresas que mostram preocupação em como podem “prestar um melhor serviço, como personalizar a experiência, e como podem ter um canal de comunicação que tenha mais” do que um chatbot.
“E ainda na inteligência artificial tem ainda a parte da automatização da operação, como [as empresas] podem libertar colaboradores de tarefas que podem ser repetitivas e que acrescentam pouco valor, substituindo-as por inteligência artificial, e desta maneira conseguirem libertar os colaboradores para tarefas de maior valor acrescentado, como por exemplo a relação pessoal com os clientes”, salienta Tiago Lopes.
“A relação pessoal não é a inteligência artificial que vai substituir. Por exemplo na área comercial as empresas preocupam-se não tanto, em ter alguém a telefonar para um cliente para perguntar se recebeu a encomenda, como está o processo de cobrança da fatura, e se é preciso emitir uma nota de encomenda nova. Tudo isso a inteligência artificial pode fazer. Interessa mais à empresa ter um contacto com o cliente para perceber as necessidades reais do cliente. E isso é interação humana”, acrescenta o diretor da Stratesys em Portugal.
Tiago Lopes reforça que tarefas atividades recorrentes, monótonas, como por exemplo a conferência de faturas e pagamentos, a inteligência artificial tem capacidade para as fazer “até com mais eficiência” do que os humanos.
Na área da inteligência artificial a Stratesys tem sido procurada também na área dos dados. Tiago Lopes salienta que através da análise dos dados é possível perceber-se “para onde está a caminhar o mercado, o que os clientes compram, em que volumes, e zonas geográficas, e como se pode adaptar o negócio” para ser mais eficiente.
“Aqui [no caso dos dados] é retirar mais valor dos dados que em alguns dos casos as empresas já tinham, mas aos quais davam pouco valor. E esta parte [relativa aos dados] em Portugal é algo que temos sentido que tem tido mais procura”, diz Tiago Lopes.
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