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Afastadas as “nuvens negras”, EDP já tem “muito mais clareza” nos EUA

A maioria do investimento da EDPR vai ter lugar no mercado dos EUA com 4,5 mil milhões (60%) do total previsto.
6 Novembro 2025, 10h33

O presidente-executivo da EDP garantiu hoje que a operação nos EUA vai continuar a crescer, com a companhia a ter muito mais visibilidade sobre o seu negócio.

Esta é agora a perspetiva da companhia quase um ano depois do regresso de Donald Trump à Casa Branca, depois de ter cortado no plano de investimento no início deste ano.

Se no início do ano existiam “muitas nuvens negras sobre as renováveis e os EUA”, neste momento, a empresa tem “muito mais clareza sobre as renováveis e os EUA”, disse hoje Miguel Stilwell d’Andrade em Londres durante a apresentação do plano estratégico 2026-2028.

O gestor também destacou a maior visibilidade sobre o negócio de distribuição em Portugal e Espanha, afirmou na sua apresentação do plano estratégico 2026-2028.

Dos 7,5 mil milhões de euros de investimentos previstos para a EDPR, 60% vão ter lugar nos EUA, com a Europa a receber 20%, eólica offshore 10%, e a Ásia-Pacífico 10%, com a América do Sul a não receber investimento renovável.

O presidente Donald Trump regressou à Casa Branca este ano e o setor das energias renováveis temia o que poderia vir aí, dadas as críticas públicas feitas pelo presidente ao setor.

Até agora, a eólica offshore tem sido a maior vítima, com vários projetos cancelados, com a EDP e outras companhias a defenderem os seus projetos em tribunal.

A Casa Branca também apresentou este ano a ‘Lei grande e linda’ que prevê que os benefícios fiscais a que os projetos renováveis têm direito terminem mais cedo, o que tem levado a EDP a acelerar o investimento.

Olhando para o plano estratégico apresentado esta quinta-feira, a EDPR prevê acrescentar 5 gigas de capacidade até 2028, com 2 gigas nos EUA já este ano.

EDP vai investir 4 mil milhões por ano até 2028

O grupo EDP liderada por Miguel Stilwell d’Andrade anunciou hoje que vai investir 12 mil milhões de euros até 2028.

Face ao plano estratégico apresentado em 2023, o investimento da EDP vai recuar dos então 25 mil milhões de euros previstos (23-26) para 12 mil milhões (26-28): dos 8,3 mil milhões de euros anuais previstos em 2023 para 4 milhões anuais.

Só a EDP Renováveis previa 20 mil milhões de euros de investimento no plano de 2023, face aos 4,5 mil milhões atuais.

O plano de 2023 tinha sofrido dois cortes em 2024 e no início deste ano: primeiro, para 17 mil milhões, depois para 14 mil milhões. Assim, o investimento anual cai de 4,4 mil milhões anuais para 4 mil milhões.

A casa-mãe EDP vai investir 12 mil milhões brutos entre 2026 e 2028, incluindo 7,5 mil milhões de euros na EDP Renováveis, com a aposta em eólica, solar e sistemas de armazenamento com baterias, com 60% destes nos EUA.

Já 3,6 mil milhões de euros destinam-se a redes de eletricidade, com dois terços a terem lugar na Península Ibérica, “continuando a reforçar o portefólio de produção flexível de eletricidade (flexgen) e clientes na Península Ibérica”.

Nas rotações de ativos, o objetivo é encaixar 5 mil milhões de euros: 200 mihões por ano mais mil milhões anuais em alienações , “libertando capital para investimento nos principais mercados de crescimento”.

Em termos de EBITDA, a companhia reitera a previsão para este ano: 4,9 mil milhões. A expetativa é que suba para 4,9–5 mil milhões em 2026 e para ~5,2 mil milhões de euros em 2028, mais 5% face a 2025.

Este crescimento deve-se ao “crescimento nas renováveis devido ao mercado dos EUA e por maiores investimentos em Redes de Eletricidade em Portugal e Espanha”.

Já a dívida líquida deverá recuar para 15 mil milhões em 2028 (está atualmente nos 17,3 mil milhões), “reforçando o balanço, sustentado por investimento disciplinado e geração robusta de cash flow, apoiando uma sólida classificação de rating de crédito BBB, com FFO/Dívida Líquida a melhorar de ~19% em 2025 para ~22% em 2028, mantendo um portefólio resiliente e de baixo risco”.

Nos lucros, a companhia espera 1,2 mil milhões este ano, 1,2-1,3 mil milhões em 2026 e 1,3 mil milhões em 2028 (mais 8% face a 2025), “melhorando o perfil de qualidade dos resultados com menor peso de ganhos de rotação de ativos e maior peso de mercados regulados e com rating A”.

O dividendo mínimo deverá manter-se 0,21 euros por ação até 2028, “com intervalo alvo de
distribuição de dividendos entre ~60-70% ao longo de 2026-2028, garantindo retornos
atrativos para os acionistas”.

Para lá de 2028, a companhia antecipa um aumento da procura de eletricidade, alimentado pela expansão de centros de dados nos EUA e na Europa, “permitindo um crescimento acelerado das renováveis com base num pipeline diversificado e potencial melhoria de preços decorrente da recontratação da nossa frota operacional nos EUA, bem como oportunidades de hibridização, repotenciação eólica e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS)”.

Nas redes elétricas, as “necessidades de investimento continuarão a ser significativas na próxima década, enquanto a nossa frota de geração convencional poderá capitalizar no valor crescente da sua flexibilidade”.

 

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