Três em cada quatro acionistas da Tesla aprovaram a proposta de pagar a Elon Musk um salário de quase um bilião de dólares em ações, o equivalente a 760 mil milhões de euros, para liderar a empresa na próxima década. A decisão, apoiada por 75% dos acionistas, abre um novo cenário nas regras tradicionais de governança corporativa das empresas mais poderosas do mundo. Musk falou no final da reunião de acionistas para agradecer o apoio. “As outras assembleias de acionistas são chatas, mas as nossas são incríveis”, disse, depois de quebrar todas as regras de remuneração conhecidas até agora.
A remuneração, cerca de 878 mil milhões de dólares em ações, a maior da história para o homem mais rico do planeta, está condicionada a uma série de objetivos. Musk terá, entre outros, que multiplicar o valor de mercado da empresa por seis para atingir 8,5 biliões em capitalização em 12 anos, vender 20 milhões de veículos durante esse período e colocar um milhão dos seus robôs Optimus e outro milhão de carros autónomos no mercado. Tudo numa altura em que alguns especialistas do setor – como por exemplo o antigo CEO da Stellantis, o português Carlos Tavares, vaticinou que a Tesla perdeu a corrida tecnológica para a concorrência chinesa, nomeadamente com a BYD. As vendas de Teslas estão a cair e os resultados não são os esperados: o lucro caiu 37% devido à redução das margens nas vendas.
O empresário enfatizou que o robô humanóide da Tesla será a chave do sucesso da empresa. “O Optimus acabará sendo melhor do que o melhor cirurgião humano, com um nível de precisão impossível, que está além do humano”, disse ele. “As pessoas sempre falaram em eliminar a pobreza, mas, na realidade, a Optimus vai realmente eliminar a pobreza. Fornecerá cuidados médicos incríveis”, disse.
O sul-africano já é o maior acionista da Tesla com uma participação de 15,32%, segundo a Bloomberg. Se conseguir cumprir as metas estabelecidas pelo conselho de administração, ultrapassaria 25% do capital – ao mesmo tempo que passaria a liderar a corrida na área da inteligência artificial (IA). A empresa quer deixar de ser pioneira na fabricação de carros elétricos para tornar-se líder em tecnologia com compromisso com robôs, drones e carros autónomos, graças ao impulso da IA.
Os acionistas votaram várias propostas, incluindo a reeleição de três executivos, um plano de incentivos com ações ou a estratégia de investimento da xAI, a start-up do grupo. Mas a questão que mais chamou a atenção foi o plano de remuneração muito generoso de Musk – alguém com um património líquido avaliado em 473 mil milhões de dólares.
“Elon é um líder geracional e, sob sua liderança visionária, temos o potencial de nos tornarmos a empresa mais valiosa da história e, por sua vez, criar valor sem precedentes para os acionistas”, observa a empresa oficialmente.
Como já se sabia, o fundo soberano da Noruega, um dos maiores do mundo e um dos principais investidores da Tesla (com uma participação de 1,16%), opôs-se à proposta de remuneração de Musk. Fica por saber-se se está ou não vendedor dessa posição.
Para além do emagrecimento do mercado automóvel – e do duro golpe que a Tesla sofreu por via das tarifas impostas por Trump (contra as quais se pronunciou, precipitando um desentendimento com o presidente dos EUA) – a sua passagem pela política foi danosa para o CEO. O empresário nascido na África do Sul colaborou ativamente no governo de Donald Trump, tendo sido, entre janeiro e maio, responsável por dirigir o gabinete de cortes orçamentais federais, o DOGE. Nesse lugar, patrocinou milhares de despedimentos e demissões, antes de ele próprio ter sido, aparentemente, demitido. Pior ainda, desde que se envolveu na política, surgiram movimentos sociais contra a Tesla e a rede social X, empresa que também dirige, o que afetou os seus próprios negócios. No entanto, os investidores parecem não pensar assim – e os mercados também não: depois de acumular quedas até 30%, as ações da Tesla já valorizaram 18% este ano.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com