Paris, 1867. A Torre Eiffel ainda não marcava a paisagem da capital francesa quando Johann Strauss Júnior e a sua orquestra tocaram a versão instrumental da valsa O Belo Danúbio Azul por ocasião da Exposição Universal de Paris. O sucesso foi tremendo e guindou-o a “Rei da Valsa”, qual estrela pop internacional se a pop como a conhecemos já tivesse sido inventada.
A tradição perdurou no tempo, à escala planetária, e 2026 não será excessão, com o Concerto de Ano Novo. No programa que a Orquestra Metropolitana de Lisboa apresenta a 1 de janeiro, numa coprodução com o CCB, e direção do maestro Bruno Borralhinho, constam as Valsas Rosas do Sul, Imperador, Sangue Vienense e a incontornável No Belo Danúbio Azul.
Mas quem é esta “estrela pop” vienesa? Nascido em 1825, em Viena, na Áustria, Strauss Jr. enfrentou desde cedo a proibição imposta pelo seu pai, o famoso compositor Johann Strauss, de seguir uma carreira musical. Apesar dessa interdição, demonstrou sempre uma maior dedicação às suas lições secretas de violino do que, propriamente, ao trabalho na escola.
O seu primeiro concerto, em 1844, aconteceu num subúrbio de Viena, que obteve um êxito assinalável, catapultando o seu nome para o reconhecimento. Na ocasião da morte do pai, em 1849, Strauss Jr. era já uma referência nos meios culturais austríacos, conquistando nesses meandros o epíteto de rei da valsa vienesa. Graças a esse estilo musical, do qual não pode ser dissociado, fez furor a nível mundial, granjeando o apoio de inúmeros seguidores da sua música.
Viajou pela Áustria, Polónia e Alemanha. Em 1855, foi contratado para uma série de atuações, durante dez anos, no Petropaulovsky Park, em São Petersburgo. Mas não ficou refém da valsa. Influenciado pelas operetas de Offenbach, Strauss Jr. produziu algumas peças nesse formato. De entre as 17 operetas que compôs, destaque para a primeira, intitulada Die Fledermaus (1871). Além desta, o seu trabalho mais célebre, comummente designado O Danúbio Azul, tornou-se uma espécie de hino não oficial da Áustria e, simultaneamente, a sua peça mais conhecida.
Neste Concerto de Ano Novo, Strauss Jr. não estará sozinho. De Moscovo, virá a exuberância de Khachaturian – com a Valsa da peça teatral Masquerade – e a afetação romântica de Tchaikovsky, com a Valsa das Flores, do bailado O Quebra-Nozes. Da Península Ibérica, a alegria vigorosa de Freitas Branco no seu Fandango, Finale da Suíte Alentejana n.º 1, a par do salero de Manuel de Falla, com a interpretação de Farruca (Dança do Moleiro), do bailado O Chapéu de Três Bicos.
O musicólogo Rui Campos Leitão irá conduzir a conversa pré-concerto – atividade exclusiva para os portadores de bilhete para o Concerto de Ano Novo no Grande Auditório do CCB, em Lisboa, em dois horários: 11h00 e 17h00.
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