As sondagens pré-eleitorais indicavam que André Ventura, mais do que contra António José Seguro, disputava o resultado das eleições consigo próprio. Seria capaz de ultrapassar o número de votos conquistados na primeira volta e ter mais votantes do que o Chega cativou nas legislativas? E chegaria à fasquia de Luís Montenegro nas últimas eleições? Fez melhor do que há três semanas, bateu o partido, por pouco, mas ficou longe da AD.
“A reconfiguração do espaço da direita e da liderança da direita” que Ventura preconizava não se concretizou nestas eleições.
Na primeira volta das eleições presidenciais, com 11 candidatos na corrida, o maior número de sempre, André Ventura obteve 1.326.942 votos, 23,52% do total, o que lhe permitiu avançar para a segunda volta, com António José Seguro, que foi o mais votado, com 30,93%.
O número de votos conquistados pelo presidente do Chega ficou 7,7% abaixo dos 1.4137.881 que o partido obteve nas legislativas de 18 de maio do ano passado, que lhe permitiram tornar-se a terceira força mais votada, mas a segunda em número de deputados, ultrapassando o PS.
Na segunda volta das presidenciais, já sem o ruído de outros adversários que poderiam disputar a mesma área política, nomeadamente João Cotrim de Figueiredo e Luís Marques Mendes, André Ventura poderia ambicionar mais, até a tal liderança da direita, se a expressão em votos fosse suficiente, mas não foi.
André ventura obteve mais 402 mil votos do que na primeira volta, um aumento de 30,3%. Também conquistou mais 291,5 mil votos do que o partido tinha registado nas legislativas. Mais 20,2%. E, apesar de não ser comparável, em percentagem ficou 1,39 pontos percentuais acima do que a AD obteve nas legislativas. É a leitura positiva.
Mas mesmo sem concorrência, quando se propunha agregar toda a direita, que domina a Assembleia da República – AD, Chega e IL têm 69,5% dos deputados –, ficou aquém: menos 279 mil votos do que a AD, o que representa menos 13,9%. Para comparação, faltou a Ventura mais do que um Livre inteiro, que obteve 257.273 votos nas legislativas, 4,07% do total, foi a quinta força política mais votada e elegeu seis deputados.
Estes resultados são incompletos. Por causa do mau tempo, a votação foi adiada em todas as freguesias de três concelhos (Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã) e, também, em duas freguesias de Santarém, outras tantas de Rio Maior, uma freguesia nos concelhos de Leiria, Cartaxo e Salvaterra de Magos.
Segundo Comissão Nacional de Eleições, são afetados 36.852 eleitores, que votarão a 15 de fevereiro.
Mesmo assim, com estes resultados, André Ventura ficou longe de agregar a direita e também afastado de a liderar.
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