Os ministros da Defesa da Coreia do Sul e do Japão concordaram esta sexta-feira em reforçar a cooperação em defesa e segurança através do aprofundamento de um trabalho conjunto na incorporação de inteligência artificial e de sistemas de armas não tripuladas, informou o Ministério da Defesa da Coreia do Sul. Os dois países reforçam assim o eixo que, no extremo oriente, responde com prontidão à estratégia de segurança dos Estados Unidos, colocando-se como um contraponto à hegemonia que, naquela região, pertence à China.
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, e seu homólogo sul-coreano Ahn Gyu-back realizaram conversas em Yokosuka, Japão, e concordaram em realizar exercícios conjuntos de busca e resgate naval, informa comunicado oficial.
Os dois aliados asiáticos dos Estados Unidos aproximaram-se nos últimos meses com laços políticos que resultam da opção dos seus novos líderes, ao mesmo tempo que tentam deixar para trás anos de relações frias enraizadas na ocupação japonesa da península coreana no início do século XX.
Ahn e Koizumi discutiram a possibilidade de trabalharem juntos para garantir a paz e a estabilidade na região face aos desafios do ambiente de segurança global e a cooperação contínua em defesa com os Estados Unidos, disse o ministério. A reunião segue as conversas realizadas em setembro na Coreia do Sul.
A agência de notícias Yonhap, da Coreia do Sul, informou que Koizumi disse a Ahn que a cooperação em defesa entre os dois países, e com os Estados Unidos, é mais importante do que nunca.
O encontro entre os dois ministros acontece na sequência de um encontro, a meio do mês, entre a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, para reforçar os laços entre as duas capitais, numa altura de degradação das relações entre Tóquio e Pequim.
Recorde-se que China e Japão continuam a viver uma crise diplomática, desencadeada em novembro, quando Takaichi sugeriu que o Japão poderia intervir militarmente caso a China atacasse Taiwan. A situação agravou-se ainda mais na semana seguinte, com o anúncio por parte de Pequim de um reforço dos controlos sobre as exportações para o Japão de bens de dupla utilização civil e militar.
A deslocação de Lee ao Japão ocorre apenas uma semana depois de uma visita à China, onde se encontrou com o homólogo chinês, Xi Jinping. “Creio que o governo sul-coreano considerou necessário que o presidente Lee se deslocasse ao Japão pouco tempo depois da visita à China, para mostrar que Seul não favorece um campo em detrimento de outro”, afirmou Benoit Hardy-Chartrand, especialista em geopolítica do Leste Asiático da Universidade Temple, em Tóquio, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Estea espécie de ‘jogo duplo’ está testado há muito pela Coreia do Sul – assim como também, por exemplo, pela Índia – mas a pressão dos Estados Unidos tem aumentado. Para se livrar do peso da ameaça das tarifas, a Coreia do Sul prometeu realizar maciços investimentos nos Estados Unidos, o que com certeza comprometerá o equilíbrio das relações com a China.
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