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Xi Jinping quer moeda chinesa com estatuto de divisa de reserva mundial

O apelo consta de trechos de um discurso proferido por Xi em 2024, divulgados no fim de semana pela Qiushi, a principal revista teórica do Partido Comunista Chinês.
2 Fevereiro 2026, 07h55

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que a China deve construir uma “moeda forte” com utilização alargada no comércio internacional, investimento e mercados cambiais, capaz de atingir o estatuto de divisa de reserva global.

O apelo consta de trechos de um discurso proferido por Xi em 2024, divulgados no fim de semana pela Qiushi, a principal revista teórica do Partido Comunista Chinês.

Na intervenção dirigida a quadros provinciais e ministeriais, Xi traçou os atributos essenciais de uma potência financeira: uma base económica sólida, força tecnológica de topo, instituições financeiras competitivas, centros financeiros internacionais influentes e uma moeda credível e amplamente utilizada.

“A economia da China já se encontra entre as maiores do mundo em ativos bancários, reservas cambiais e dimensão dos mercados de capitais, mas continua a ser ‘grande, mas não forte’”, afirmou o líder chinês, sublinhando que transformar o país numa potência financeira será uma tarefa de longo prazo.

A divulgação do discurso surge num momento em que Pequim intensifica os esforços para internacionalizar o renmimbi e reforçar a sua estabilidade, numa conjuntura marcada por incerteza nos mercados globais e crescentes dúvidas sobre a força do dólar norte-americano.

Nos últimos meses, a moeda chinesa tem-se mantido relativamente firme face ao dólar, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos. Ainda assim, analistas como o banco de investimento Goldman Sachs consideram que o renmimbi permanece subvalorizado – até 25% abaixo do seu valor justo, segundo um relatório de janeiro.

A posição de Pequim é de cautela: o banco central prefere uma moeda estável, mas evita valorizações rápidas. Apesar disso, a utilização internacional do renmimbi continua limitada. A compensação diária de pagamentos transfronteiriços ronda os 100 mil milhões de dólares (84 mil milhões de euros), muito abaixo dos cerca de dois biliões movimentados pelo sistema interbancário em dólares.

Um sinal recente da expansão do uso do renmimbi foi dado pela Zâmbia, que começou, em janeiro, a cobrar impostos e dividendos a empresas mineiras chinesas diretamente em moeda chinesa, canalizando-a depois para o financiamento de importações e pagamento de dívida a Pequim.

Especialistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post afirmaram que a decisão reflete, sobretudo, a necessidade urgente da Zâmbia de mitigar a escassez de dólares e gerir melhor a sua dívida. No entanto, representa também um avanço silencioso na estratégia chinesa de promover o renmimbi como alternativa em países com forte dependência comercial da China.

“Ao aceitar a moeda do seu maior credor e parceiro comercial, o governo dá um passo racional para reduzir custos de transação e aliviar pressões na balança de pagamentos”, comentou Charles Mak, docente da Universidade de Bristol.

Xi defendeu que uma verdadeira potência financeira requer, além de estabilidade macroeconómica, “um sistema legal sólido, regulamentação eficaz e um número suficiente de profissionais financeiros com elevada competência”. Acrescentou ainda que o país deve “melhorar continuamente a capacidade de regular os mercados, prevenir riscos sistémicos e manter a estabilidade financeira global”.


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