Cuba enfrenta o seu maior ponto de rutura desde o Período Especial. Sem combustível, sem alianças funcionais e sob bloqueio total de Washington, o regime de Miguel Díaz‑Canel vê a energia, física e política, apagar‑se sob o peso da realidade.

A realidade de Cuba, neste início de fevereiro de 2026, é brutal na sua simplicidade: uma ilha à beira de ficar sem energia, sem combustível e sem margem de manobra. A geopolítica pode tolerar ambiguidades, mas não perdoa limites físicos, e Havana está a tocar o seu limite terminal.

A queda de Nicolás Maduro, em janeiro, não foi apenas a derrota de um aliado ideológico. Representou o corte súbito da principal artéria de sobrevivência do regime. A eliminação de operacionais de segurança de Havana durante o assalto final ao Forte Tiuna e ao Palácio de Miraflores, em Caracas, expôs uma vulnerabilidade que poucos antecipavam: a incapacidade técnica dos serviços cubanos para proteger a sua própria infraestrutura de influência. Sem o fluxo subsidiado de barris da PDVSA e sem o mito da sua infalibilidade operacional, o regime enfrenta agora uma escassez que já não consegue disfarçar.

De acordo com o “Financial Times”, corroborado por outras fontes de inteligência económica, indicam que restam à ilha pouco mais de duas semanas de combustível. Quando os geradores das centrais termoelétricas pararem, não será apenas o turismo a colapsar. Cairá também o último anel de controlo social que sustentava o executivo de Miguel Díaz‑Canel. Washington, sob a presidência de Donald Trump e com Marco Rubio a gerir o dossiê latino‑americano, abandonou qualquer ambiguidade. O bloqueio é cirúrgico, calibrado para asfixiar. Ao forçar o México a escolher entre a solidariedade ideológica e a preservação da relação comercial com os EUA, a Casa Branca reduziu drasticamente o horizonte de manobra de Havana. O México começou a fechar as torneiras.

Mas Cuba não é a Venezuela. A ilha possui uma densidade institucional e uma disciplina militar que lhe permitiram sobreviver a crises que teriam destruído Estados frágeis. O regime é um sistema totalitário enraizado, com quadros habituados à gestão da escassez. Essa resiliência, porém, é também o motivo pelo qual Washington não procura uma transição negociada. Para a Administração Trump, a sobrevivência de um aparelho estatal com esta capacidade de influência não deve ser acomodada; deve ser desmontada.

Nas próximas duas semanas, a viabilidade desta resistência será testada em três frentes: a logística naval, onde a ausência de petroleiros ditará o fim das reservas; a coesão do aparelho repressivo, cuja mobilidade será limitada pela falta de combustível; e o comportamento das elites da GAESA, cujo desvio de capitais para moedas fortes sinalizará a implosão interna.

Fontes diplomáticas sugerem que setores do executivo tentam reabrir canais com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, oferecendo concessões desde que não colidam com a ordem constitucional. Mas, para Washington, a Constituição socialista é o problema estrutural, não uma variável de negociação. A estratégia americana visa a capitulação por exaustão. Entretanto, o turismo tornou‑se um espectro e os aliados tradicionais, de Moscovo a Pequim, estão demasiado absorvidos pelas suas próprias crises para oferecerem mais do que retórica.

A história ensina a não subestimar a resiliência do sistema cubano. Mas a física demonstra que nenhum Estado moderno é funcional sem energia. Se Havana não obtiver um milagre logístico nestes quinze dias, o golpe final não virá de uma invasão, mas do silêncio de uma rede elétrica incapaz de se regenerar. A contagem decrescente está em curso, e Washington não mostra sinais de pretender travá‑la.