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Saúde: privado representou 72% das reclamações em 2025

Barómetro anual do estado da saúde em Portugal revela que 2025 ficou marcado por “tempestade perfeita e de “normalização da crise na saúde”, criada por greves prolongadas e “estrategicamente coordenadas de médicos e enfermeiros”, um conflito aberto e litigioso entre os grandes grupos de saúde privados e a ADSE e falhas catastróficas em infraestruturas críticas.
6 Fevereiro 2026, 13h39

O Portal da Queixa recebeu 5.446 reclamações direcionadas com o setor da saúde em 2025, o que significou uma subida homóloga de 2,12%. Esta é uma das conclusões do barómetro anual dedicado a esta área de atividade em Portugal, feito pelo Consumer Trust Labs.

O setor privado foi responsável por 71,94% (3.918) do total das queixas, e o setor público 28,06% (1.528), com as denúncias a aumentarem exponencialmente, em questões de vida ou morte, dignidade humana e acesso básico a cuidados de saúde.

De resto, o barómetro revela que 2025 ficou marcado por “tempestade perfeita e de “normalização da crise na saúde”, criada por greves prolongadas e “estrategicamente coordenadas de médicos e enfermeiros”, um conflito aberto e litigioso entre os grandes grupos de saúde privados e a ADSE, que deixou milhares de beneficiários num limbo financeiro e falhas catastróficas em infraestruturas críticas, que teve como expoente máximo o “apagão informático” do Hospital Amadora-Sintra em junho, que obrigou o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a recuar décadas nos seus processos clínicos.

Em termos geográficos, Lisboa concentra a maioria absoluta das queixas (35,96% no privado e 30,96% no público), justificado pela densidade populacional, mas também com a elevada concentração de grandes unidades hospitalares privadas e a saturação das urgências centrais do SN, nomeadamente os hospitais de Santa Maria, São José e São Francisco Xavier.

O Porto aparece no segundo lugar (18,48% no privado), com o distrito de Setúbal a ser considerado como “um caso crítico”, representando mais de 11% das queixas, provocadas por uma “crise crónica” das urgências obstétricas na Península de Setúbal (Hospitais Garcia de Orta e São Bernardo), que operaram sob fortes constrangimentos e encerramentos rotativos ao longo de todo o ano.

Das 1.528 reclamaçõe no setor público, a “falta de qualidade do atendimento clínico” representa 54,62%, relacionados não só com desfechos clínicos adversos, mas a processos de atendimento marcados por negligência percebida, desumanização e falhas de acompanhamento. Ainda no SNS, as queixas sobre as urgências tiveram um peso de 24,61%, com os serviços de obstetrícia a
representarem 26,86%.

Já no setor privado, 24% das reclamações foram direcionadas para cobranças indevidas, como faturas surpresa, copagamentos inesperados ou recusas de cobertura. Em relação ao serviço dos urgências, o setor verificou um aumento de 20% na procura no período do Natal e o Ano Novo, motivada pelo “colapso” do SNS.

O aumento de 7,5% nas queixas sobre urgências privadas (com um pico de 200% de aumento em agosto) indica que os hospitais privados não conseguiram escalar as suas equipas para absorver
o “transbordo” do SNS. Entre as unidades privadas são apontados tempos de espera excessivos (acima de 4 horas em hospitais como a CUF ou Luz).

Para este ano, o barómetro indica que o principal desafio passa por reconstruir a confiança entre o setor da saúde e os utentes.O sistema precisa de garantir previsibilidade: a grávida precisa de saber onde vai parir, o doente cirúrgico quando vai ser operado, e o consumidor online quando vai receber o seu medicamento. Sem esta previsibilidade, a tendência de aumento da conflitualidade e da reclamação manter-se-á inabalável”, aponta o estudo.

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