A NATO tem seguido de muito perto a evolução da situação no Afeganistão e o seu secretário-geral, o ex-primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, tem-se desdobrado em contactos sobre o assunto. Esta sexta-feira sucedeu mais um encontro com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Estados-membros, no final da qual, Stoltenberg afirmou que “o que temos testemunhado nos últimos dias é uma tragédia para o povo do Afeganistão”.
“A situação continua muito difícil e imprevisível”, afirmou, para dizer que “a evacuação de pessoas dos países aliados e parceiros, e afegãos que trabalharam connosco é a nossa prioridade imediata”. Nesse contexto, “a NATO tem trabalhado 24 horas por dia para manter as operações no aeroporto internacional de Cabul, permitindo que milhares de pessoas saiam”.
Adiantando que “cerca de 800 civis da NATO trabalharam para manter o aeroporto aberto fornecendo controlo de tráfego aéreo, combustível e comunicações”, Stoltenberg agradeceu “aos Aliados da NATO, em particular à Turquia, aos Estados Unidos e ao Reino Unido, e ao nosso parceiro Azerbaijão, pelo seu papel vital na segurança do aeroporto”.
Por outro lado, o secretário-geral disse que “esperamos que os Taliban cumpram os seus compromissos e garantam que o Afeganistão não se torne novamente um porto seguro para o terrorismo internacional. Devem pôr fim à violência em todo o país e defender os direitos fundamentais de todos os cidadãos afegãos – homens, mulheres e crianças”.
E lembrou que “ao longo dos anos, a presença da NATO e o apoio de toda a comunidade internacional permitiram que os afegãos fizessem progressos sociais, económicos e políticos sem precedentes. Qualquer governo afegão que tente desfazer esse progresso corre o risco de isolamento internacional”.
Stoltenberg anunciou que “os ministros concordaram que não permitiremos que terroristas nos ameacem novamente do Afeganistão. O nosso objetivo era evitar que terroristas usassem o Afeganistão como um porto seguro para novos ataques contra nós e nenhum ataque terrorista em solo aliado foi organizado a partir do Afeganistão nas últimas duas décadas”.
“Sabíamos os riscos de retirar as nossas tropas, mas a velocidade do colapso da liderança política e militar afegã não foi antecipada”, disse, repetindo o mesmo argumento que o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já usara em declarações proferidas por estes dias.
Stoltenberg revelou ainda que “pretendo conduzir uma avaliação completa do envolvimento da NATO no Afeganistão”. E concluiu afirmando que “a América do Norte e a Europa devem continuar a permanecer unidas na NATO, os acontecimentos no Afeganistão não mudam isso. A mudança do equilíbrio global de poder, as ações agressivas da Rússia e a ascensão da China tornam ainda mais importante que mantenhamos um forte vínculo transatlântico” – tendo assim voltado a fazer coincidir a agenda da organização que dirige com uma parte das prioridades da diplomacia da Casa Branca.
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