25 cidades portuguesas estão preparadas para atenuar danos das alterações climáticas

As cidades dos municípios de Águeda, Amarante, Braga, Fafe, Guimarães, Ovar, Valongo, Viseu, Funchal, Loulé, Barreiro, Cascais, Lisboa, Mafra, Sintra e Torres Vedras fazem parte do total das 148 cidades europeias que assumem boas práticas para atenuar os efeitos das alterações climáticas.

Portugal está entre os países europeus que tem cidades preparadas para atenuar os danos das alterações climáticas.

De acordo com um  relatório divulgado esta quarta-feira, pelo Carbon Disclousure Project (CDC, sigla em inglês) foram analisadas 25 cidades dos municípios de Águeda, Amarante, Braga, Fafe, Guimarães, Ovar, Valongo, Viseu, Funchal, Loulé, Barreiro, Cascais, Lisboa, Mafra, Sintra e Torres Vedras. Estas cidades integram o total de 75% a nível europeu têm planos de adaptação, um valor muito acima da média global (57%). Estas cidades fazem ainda parte de uma lista de 148 que assumem boas práticas neste sentido.

Esses planos incluem medidas de eficiência energética, de geração de fornecimento de energia com baixo ou zero de carbono e de redução de CO2 emitidos por veículos motorizados e transportes públicos. Quanto às práticas, o CDP realçou o mapeamento de cheias, plantação ou criação de espaços verdes e a incorporação do factor alterações climáticas em documentos de planeamento a longo prazo.

Quanto ao continente africano, a CDP indica ainda que 59% das cidades estão preparadas para mitigar os efeitos das alterações climáticas, com apenas 28 cidades a assumirem boas práticas neste sentido, sendo que esse valor sobe para 64% e 75, respetivamente, quando comparado com a Ásia.  Na América Latina, 212 cidades assumem medidas preventivas tendo 56% garantido um plano de ação. Na América do Norte, a realidade é de 81% e 180 cidades, pela mesma ordem.

Uma em quatro cidades não tem planos de adaptação às alterações climáticas

De acordo com a organização sem fins lucrativos, que gere o sistema mundial de divulgação ambiental para empresas, cidades, estados e regiões, em relação ao total das cidades que disponibilizaram dados para o relatório verifica-se que, embora 93% das cidades tenham declarado enfrentar riscos ambientais, 353 (43%) delas não indicaram ter qualquer plano de adaptação. A falta desses planos significa, alerta a organização, que uma população estimada em 400 milhões de pessoas na próxima década vive em cidades mal preparadas para enfrentar as alterações climáticas.

No relatório, o CDP salienta que um plano de adaptação é essencial para que uma cidade consiga enfrentar os riscos decorrentes das alterações climáticas, e diz que os estudos demonstram que a Europa já tem a taxa de mortalidade mais elevada devido a ondas de calor, ao mesmo tempo que os dados da União Europeia associam uma em cada oito mortes à poluição.

Destacando o investimento como fundamental, o relatório indica que globalmente 25% das cidades que participaram referiram o orçamento como o principal obstáculo para a falta de acções de adaptação. Entre as 157 cidades europeias que fazem parte do relatório foram assinalados como necessários mais de 10 mil milhões de euros para avançar com projectos específicos relacionados com o clima.

Em termos globais, as cidades justificam que os projectos que precisam de financiamento mais urgente dizem respeito a transportes, energias renováveis, eficiência energética e gestão da água. Questões ligadas a habitação e a pobreza são também barreiras a acções de adaptação aos extremos climáticos.

No documento também se conclui que 41% das cidades ainda não têm uma avaliação dos riscos e vulnerabilidades relacionadas com o clima, o que seria fundamental para identificar pessoas, infra-estruturas e recursos em risco devido aos crescentes perigos físicos de um clima em mudança. A investigação mostrou que as cidades com essas avaliações relatam 2,7 vezes mais acções do que aquelas que ainda as não têm.

Como positivo os investigadores responsáveis pelo relatório referem os grandes progressos dos últimos dez anos. Em 2011 existiam apenas 30 cidades com planos de adaptação, em comparação com as actuais 459, 120 das quais na Europa. Na Europa, das cidades que participaram, 103 têm objectivos de redução de emissões de dióxido de carbono. E 49 têm objectivos alinhados com o Acordo de Paris, de impedir que as temperaturas subam mais do que 1,5º Celsius em relação à época pré-industrial.

Quanto às acções que as cidades estão a tomar para se adaptarem, 20% disseram que estão a plantar árvores e a criar espaços verdes e 18% referiram o mapeamento das zonas de cheias. A título de exemplo, Berlim lançou o programa “1000 telhados verdes” e Paris criou “ilhas frias” para gerir o impacto das ondas de calor. Malmo, na Suécia, decidiu que todos os novos edifícios têm de estar três metros acima do nível do mar.

“As cidades europeias têm de ser uma força motriz para a concretização de uma União Europeia neutra em termos climáticos até 2050 e para alcançar a nova meta ambiciosa de redução de emissões para 2030”, diz no relatório a responsável pelas políticas para a Europa, Mirjam Wolfrum.

A responsável lembra que a crise sanitária provocada pela pandemia de covid-19 desviou fundos para acções prioritárias, mas acrescenta que “a acção ambiental não pode abrandar” e que os governos têm agora uma oportunidade para uma recuperação verde das cidades, com os pacotes de estímulo divulgados. “Como primeiro passo para gerir as ameaças climáticas, cada cidade deve realizar uma avaliação do risco climático e da vulnerabilidade para identificar as acções cruciais que deve tomar”, adverte.

As cidades produzem 70% das emissões de dióxido de carbono e, na Europa, albergam três quartos da população.

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