47% das PME portuguesas perdeu mais de metade do seu volume de negócios com a Covid-19, revela estudo

“O período de confinamento abalou muito significativamente a atividade económica do país, com especial incidência sobre as pequenas e médias empresas (PME), que compõem a grande maioria do tecido empresarial nacional”, refere o estudo da Sage. Os setores mais afetados foram o do turismo, da restauração, comércio por grosso, banca e seguros, imobiliário e ainda o de comércio/oficinas automóveis.

Segundo um estudo realizado pela Sage, líder global no fornecimento de tecnologia, 47% das PME portuguesas perdeu mais de metade do seu volume de negócios desde o início da pandemia e 34% das empresas inquiridas recorreu ao lay-off total ou simplificado como medida de apoio ao emprego.

Adicionalmente, 36% das PME do país ainda não consegue estimar um prazo para a recuperação dos valores de negócio pré-pandemia

“A pandemia continua a pôr em causa a resiliência das empresas portuguesas”, diz a Sage. “O período de confinamento abalou muito significativamente a atividade económica do país, com especial incidência sobre as pequenas e médias empresas (PME), que compõem a grande maioria do tecido empresarial nacional”, refere a empresa líder de mercado em soluções de gestão empresarial na Cloud, na sequência da realização de um inquérito junto de 1.778 empresas nacionais para compreender o impacto da pandemia nos seus negócios bem como as expectativas em relação à recuperação económica.

Desde o início do período de pandemia, 12% das empresas reporta ter perdido pelo menos 20% do seu volume de negócios neste período, o que significa que 59% das empresas considera que o impacto desta crise tem sido “muito negativo” para os seus negócios. “Segundo foi possível apurar, os setores mais afetados foram o do turismo, da restauração, comércio por grosso, banca e seguros, imobiliário e ainda o de comércio/oficinas automóveis”, refere a  Sage.

Por outro lado, apenas 17% das empresas inquiridas afirma não ter sido afetada pela situação, maioritariamente empresas nos setores de consultoria e contabilidade.

No que respeita ao regular funcionamento das empresas em tempo de pandemia, nem tudo são dados negativos no estudo da Sage. A maioria das empresas inquiridas (82%) afirmou continuar em funcionamento, das quais 44% reporta estar a funcionar de forma parcial e 38% a funcionar em pleno. Das restantes, 15% contava reabrir até 1 de junho e 1% viu-se obrigada a encerrar de forma definitiva; são ainda vários os negócios que se encontram suspensos sem data de reabertura.

 

Aplicação das medidas de apoio por parte do Governo

Uma das principais preocupações das empresas durante este período prendeu-se com a sua capacidade de resposta, tendo em conta as diversas alterações decorrentes das várias medidas disponibilizadas pelo governo, refere o estudo.

“A aplicação do lay-off, em particular, teve implicações quase imediatas para as empresas em termos de gestão de Recursos Humanos. Das PME que participaram no estudo, 34% admitiu ter recorrido a esta medida (de forma total ou parcial)”, diz a Sage.

Adicionalmente, 24% das PME recorreu ao teletrabalho (total ou parcial) e 16% teve de reduzir o número de colaboradores, quer através da não renovação de contratos, do cancelamento de novas contratações ou mesmo através de despedimento. Ainda assim, cerca de 39% das PME revela não ter aplicado nenhuma das medidas disponíveis para o apoio ao emprego.

“No que toca ao apoio económico e financeiro, este número é superior”, diz a análise que conclui também que 47% indica não ter recorrido a quaisquer medidas apresentadas. “Entre as restantes, destaca-se que 28% diferiu os pagamentos à segurança social, 25% que diz ter fracionado o pagamento de obrigações fiscais ou contributivas, para melhor suportar as despesas; 22% que se candidatou ao programa de créditos de apoio às empresas; e ainda 21% que pediu moratórias em relação a créditos já existentes”, acrescenta a Sage. São várias, também, as PME a reportar não ter acesso a qualquer apoio, devido à natureza da sua atividade e/ou constituição da sua empresa, de acordo com o estudo.

“Entre várias outras medidas aplicadas, num âmbito já mais geral, destaca-se a procura, por parte de mais de 1/5 das empresas (21%) pela diversificação da oferta de produtos e serviços”, adianta a análise.

 

Na reabertura da economia há 36% que não sabem quando vão recuperar o volume de negócios

No que toca ao processo de reabertura e recuperação económica, os resultados são, também, claros. Há 36% das empresas inquiridas que indica não conseguir estimar um prazo para recuperar o volume de negócios para os valores registados antes do período de pandemia, tendo em conta o momento de grande incerteza que ainda vivemos.

“Estamos perante um cenário de incerteza e muitas empresas, principalmente as mais pequenas, enfrentam um grande desafio no que respeita à recuperação do seu volume de negócios. Na Sage, estivemos desde o primeiro momento ao lado dos nossos Clientes, garantindo-lhes todo o suporte, tranquilidade e conhecimento necessários neste momento sem precedentes”, salientou Josep María Raventós, Country Manager da Sage Portugal na nota enviada às redações. “Para além do apoio incondicional que demos, nomeadamente às empresas que recorreram ao lay-off, e para as quais a atualização rápida e regular das soluções de recursos humanos e salários foi um fator crítico, definimos também planos de ajuda personalizados para os Clientes que viram os seus negócios ser afetados de alguma forma, o que os ajudou a manter-se no ativo apesar das condições menos favoráveis”.

Numa perspetiva mais otimista, mais de 1/5 das empresas inquiridas (21%) estima poder recuperar ainda até ao final deste ano. Este número está, obviamente, muito dependente dos setores de atividade das PME – os que se destacam pelo lado positivo da recuperação são os serviços de estética/cabeleireiros, os transportes, os serviços de informática e ainda o setor do ensino.

Josep Maria Raventós afirmou ainda que “entramos agora numa nova fase da economia e é extraordinário ver a resiliência das empresas portuguesas, que estão a enfrentar esta situação com garra e mesmo as mais resistentes (quer pela sua dimensão, quer pelo setor de atividade), estão agora a sentir a poderosa aceleração nos seus processos de transformação digital, onde a tecnologia assume cada vez mais o papel principal para uma adaptação a esta nova normalidade”.

Para este estudo a Sage Portugal, usou inquéritos por via eletrónica, tendo obtido 1.778 respostas. Quanto à dimensão das empresas, cerca de 86% das empresas respondentes é categorizada como Micro empresa (até 10 trabalhadores ou volume de negócios menor ou igual a 2 milhões de euros); 12% como Pequena empresa (até 50 trabalhadores ou volume de negócios menor ou igual a 10 milhões); cerca de 2% é categorizada como Média empresa (até 250 trabalhadores ou volume de negócios menor ou igual a 50 milhões) e menos de 1% como Grande empresa (250 ou mais trabalhadores ou volume de negócios acima dos 50 milhões).

Os setores de atividade mais representados neste estudo foram: o do comércio e oficinas automóveis (21%), serviços de contabilidade (11%) e alojamento e restauração (11%). A maior parte das empresas respondentes localiza-se na região de Lisboa e Vale do Tejo (32%), Centro (20%), Douro Litoral (20%) e Minho (11%).

 

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