92% das empresas aderiram ao teletrabalho e 50% dos gestores gosta do regime

Teletrabalho teve uma elevada aceitação por parte dos trabalhadores e nalguns casos até aumentou a produtividade, mas a CIP salientou que “ainda é cedo para tirar conclusões” e que por enquanto “não há necessidade de se rever o que está previsto no Código do Trabalho, que prevê um acordo entre as partes para o teletrabalho”, disse Rafael Campos Pereira, vice-presidente da associação dos empregadores.

Mais de nove em cada dez empresas (92%) aderiram ao teletrabalho durante a pandemia, ainda que de forma parcial. Segundo o quinto inquérito “Sinais Vitais”, realizado em conjunto entre a CIP — Confederação Empresarial de Portugal e o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, cujos resultados foram esta segunda-feira divulgados, 74% das empresas inquiridas recorreram ao teletrabalho de forma parcial, com o remanescente a implementar esta forma de trabalhar a partir de casa de forma total.

O inquérito debruçou-se sobre o teletrabalho e obteve a resposta de 954 empresas de várias dimensões, incluindo grandes empresas, e representativas de diversos setores de atividade, embora com um forte peso do setor da indústria e energia.

Mais de seis em cada dez empresas (63%) respondeu que desenvolve atividade passível de ser executada em regime de teletrabalho e 62% respondeu que não tinha experiência nesta forma de trabalhar. No entanto, 86% das empresas adaptou-se bem ao teletrabalho, passando a desempenhar processos internos —gestão, administrativos, de suporte informático — a partir de casa.

Teletrabalho: o futuro do trabalho?

O teletrabalho teve o acolhimento de 50% dos gestores das empresas que têm colaboradores neste regime e consideram preferível ter situações de teletrabalho de dois (20%) ou de três dias (30%) por semana.

Mais de um quinto das empresas inquiridas (22%) admitiu ser preferível manter o teletrabalho em todos os dias da semana, com idas pontuais à empresa. Apenas 13% das empresas prefere um dia em regime de teletrabalho e 16% vê com bons olhos quatro dias em teletrabalho.

Este regime teve ainda um elevado nível de aceitação por parte dos trabalhadores, com 57% a responder que a sua aceitação foi “elevada” ou “muito elevada”. Apenas 4% respondeu “nada elevada”, 11% disse ter tido uma aceitação “pouco elevada”, enquanto 27% disse ter uma aceitação “razoavelmente elevada”.

Entre as principais vantagens do teletrabalho destacam-se a redução de custos (27%) e motivação dos trabalhadores (26%). 13% salientaram a captação de trabalhadores mais qualificados (por serem originários de outras regiões ou necessidade de conciliação com vida familiar) e 15% destacaram a focalização nas tarefas e o aumento da produtividade.

Mas o teletrabalho tem ainda pontos negativos, como a dispersão dos trabalhadores com atividades domésticas e familiares (43%) ou a falta de comunicação entre equipas (30%).

Apesar destes números, 52% das empresas não tem a intenção de ter teletrabalho com o regresso generalizado ao trabalho presencial e sendo possível legalmente, mas 59% considera que, logo que possível se deve voltar ao regime do teletrabalho constante do Código do Trabalho (CT), que exige o acordo entre o empregador e o trabalhador.

Rafael Campos Pereira, vice-presidente da CIP salientou que os resultados do inquérito ” indiciam que a produtividade se manteve ou aumentou” e que “quase metade das empresas tem a intenção de manter o teletrabalho, embora se sintam mais confortáveis com o regime que está previsto no CT, com o acordo entre as partes.

Questionado sobre se o teletrabalho poderá corresponder a nova ‘normalidade’ e se se justificaria uma revisão ao CT sobre esta matéria,  disse que, o vice-presidente da CIP respondeu que “ainda é cedo para tirar conclusões”.

“Temos uma avaliação razoavelmente positiva [do teletrabalho], houve adesão por parte das empresas e por parte dos colaboradores”, mas terá também “seguramente pontos negativos. As associações e os sindicatos estarão a refletir sobre as vantagens e inconvenientes relativamente a esta modalidade”, adiantou Rafael Campos Pereira.

“Por enquanto, a posição a posição da CIP é que não há necessidade de se rever o que está previsto no CT que prevê um acordo entre as partes para o teletrabalho. Mas estamos ainda avaliar, queremos fazer uma reflexão mais aprofundada para amadurecermos esta posição”, frisou o vice-presidente da CIP.

Ler mais
Recomendadas

PremiumISQ vai investir mais de um milhão de euros no fabrico aditivo (3D)

Pedro Matias, presidente da empresa, anuncia que vai ser criado um Laboratório de Manufatura Aditiva, que será único em Portugal.

Salas de cinema registam quebras na ordem dos 96% em julho

Segundo os dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual, as salas de cinema nacionais receberam no último mês cerca de 78 mil espectadores, o que traduz uma quebra de 95,6% comparativamente à audiência em 2019,

PremiumRisco de continuidade do negócio é o mais relevante para as empresas

Um estudo da MDS revela que a possibilidade de recuperação em ‘V’ é, do lado das empresas, uma miragem: um a três anos é o tempo mínimo esperado de regresso à atividade pré-pandemia.
Comentários