As fracas colheitas de cacau no Gana e na Costa do Marfim vão provocar um declínio de 11% na produção global no ano cacau de 2023/23 (de outubro a setembro). Os dois países africanos são responsáveis pela produção de mais de metade do cacau global.
Os preços dos futuros do cacau dispararam 250% nos primeiros três meses do ano face a período homólogo devido à “incerteza no mercado como resultado do menor fornecimento do cacau”, segundo uma nota da DBRS Morningstar.
Como resultado, “os consumidores vão se deparar com preços mais elevados do chocolate”, o que vai originar produtos “com menos chocolate” e produtos “mais pequenos”, mas ao mesmo preço, fenómeno conhecido por shrinkflation.
E as coisas vão mudar em termos de consumo com chocolates mais caros: é o chamado efeito batom. Em tempos de dificuldades económicas, os consumidores, tendo menos dinheiro, gastam em regra mais em pequenas recompensas como batom, maquilharem, café premium ou chocolate, de forma a aumentarem a sua felicidade.
Mas com o disparo no cacau e depois no chocolate, a expetativa é que os consumidores procurem por descontos, trocando chocolate mais caro por mais baratos ou outro tipo de guloseimas, incluindo mudar para marcas brancas e/ou reduzir volumes.
“No entanto, esperamos que os consumidores continuam a gastar dinheiro em chocolates e produtos confecionados em ocasiões festivas e celebrações, incluindo o Dia da Mãe, Halloween e Natal, consistente com as tendências observadas durante o Dia dos Namorados e a Páscoa”, de acordo com a DBRS Morningstar.
Ao mesmo tempo, os analistas esperam uma “divergência” nos ratings dos diferentes produtores, pois o sector é composto por chocolatiers especializados, mas também por produtores de grande escala, e produtores de produtos confecionados.
“Apesar dos operadores globais de chocolate premium e de produtos de grande escala poderem experienciarem alguma pressão na sua performance operacional, acreditamos que a força das suas marcas, lealdade de clientes e poder de pricing deve isolá-los de alguma forma. Mais, a diversidade de produtos e a profundidade da oferta dos seus produtos dentro de diferentes graus de preços deve também manter os produtores de grande escala a bom ritmo. Já os chocolatiers mais pequenos, locais, não devem ter um desempenho tão bom, dado o seu pequeno tamanho e pegada regional limitada”, disse em comunicado Aarti Magan da DBRS Morningstar.
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