A disrupção em toda a cadeia de valor do dinheiro

O presidente da Fintech Portugal considera que a aceitação dos agentes e a infraestrutura tornam o país apetecível aos colossos da indústria.

2 – Multibanco

Qual será o papel das fintech no futuro do dinheiro?
As fintech estão a trabalhar em todos os aspetos da cadeia de valor. Podem ser start-ups, incumbentes, bancos centrais, pode ser qualquer agente. Há as fiat (fiduciárias), que são as mais clássicas, mas que têm já a possibilidade de serem transmitidos digitalmente; há também empresas que saíram da temática das fiduciárias e criaram divisas digitais, criptomoedas, que são cada vez mais líquidas, não só pelo capital envolvido, mas também as aplicações que estão à volta delas. Acaba por ser um sistema financeiro que corre à parte, com vasos com o sistema formal. Temos também muito recentemente bancos centrais que têm feito central bank digital currencies (CBDC), tentando trazer as facilidades dos dois mundos. A China está muito avançada, o Banco Central Europeu também tem trabalhado muito a temática. Poderá haver alguns cortes na cadeia de valor e na capacidade de armazenamento, ou alterações na camada de transmissão do dinheiro. Em toda a cadeia de valor de criar e guardar dinheiro, as fintechs terão uma influência infraestrutural, mas também de transmissão, das aplicações que as pessoas estão a usar para interagir, o ponto de contacto. Não é por acaso que os bancos começaram a cobrar comissões no MBWay, é porque querem que as pessoas continuem a usar o homebanking, um ponto de contacto muito importante. As fintech também estão a atacar essa camada, do contacto final com o cliente. No fundo, há uma disrupção end-to-end.

 

Qual é o cenário atual das fintech em Portugal?
Como comprova o nosso relatório anual, aumentou o investimento, o número de empresas e o interesse internacional a nível de fusões e aquisições, com colossos mundiais a comprarem ou investirem em fintechs portuguesas. Temos uma grande capacidade tecnológica, apesar do mercado ser pequeno quando comparado com congéneres euro e asiáticos. Isso acaba por afetar a morfologia das nossas fintechs. Temos um sector sobretudo B2B, mas onde acabam por proliferar bastantes start-ups. A infraestrutura para o fintech é muito melhor do que há uns anos. Existe a associação do Portugal Fintech, temos uma maior abertura dos incumbentes, o regulador com o Portugal FinLab, incubadoras dedicadas… Tudo acaba por ser um círculo virtuoso. Há mais fintechs, mas também há mais serviços para as fazer crescer, mais credibilidade, interesse internacional de investidores e utilizadores… diria que nunca se teve tanto desenvolvimento, tanto material ou tanta matéria-prima. Havendo ainda trabalho por fazer, é um ambiente muito mais desenvolvido do que há quatro anos.

 

O que antecipa para o futuro na área?
A nível mundial, espero que esta tendência continue. A Covid veio acelerar a digitalização do mundo financeiro, com pessoas mais abertas a experimentarem soluções digitais, mais higiénicas, pelo menor contacto. Acredito que se torne algo mais embebido no nosso dia-a-dia – não faz sentido, por exemplo, ir a andar de autocarro e não poder pagar com o meu telemóvel. Isto são temáticas que, a nível mundial, não vão parar e os bancos estão a tentar acompanhar, senão já perceberam que vão perder a camada de contacto com o cliente final. Em Portugal, especificamente, acredito que haverá muito mais cooperação entre incumbentes, bancos e seguradoras, que acabam por ter ainda a maior parte do contacto. Acredito também na criação de fintechs pan-europeias ou globais a entrar em força e questionar alguns mercados até agora muito defendidos por monopólios naturais e artificiais, como nos meios de pagamento e transferências ou nos cartões de crédito e debito. Basta olhar para alguns nomes que estão a entrar em força no mercado nacional e, de alguma forma, a servir de ‘abre olhos’ para acelerar as agendas de digitalização da banca.

Recomendadas

Rui Gomes da Silva: “Compra de 25% da SAD? Objetivo final é tirar o Benfica de Bolsa”

O antigo vice-presidente encarnado considera que o objetivo final passa pela existência de uma maioria na SAD que permita a saída de Bolsa. Rui Gomes da Silva considera mesmo que pode ter sido prestada informação de dentro do Benfica ao empresário norte-americano John Textor.

Farmácias já realizaram mais de sete milhões de testes desde o início do ano

“As medidas que têm vindo a ser tomadas têm levado ao reforço da testagem, o que nos tem permitido identificar casos de infeção que, de outra forma, não se conseguiriam identificar, uma vez que as pessoas não apresentam sintomas”, destaca Ema Paulino, presidente da Associação Nacional de Farmácias, ao JE.

“Escritório do futuro será um local para colaboração”

Mike McDaniel, da tecnológica norte-americana DXC, diz que a experiência dos trabalhadores deve ser semelhante à que têm com as aplicações da sua rotina diária.
Comentários