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A Europa e o véu do medo

Há temas que a Europa insiste em tratar com pudor, como se o silêncio fosse uma forma de virtude. O extremismo islâmico é um deles. Não por medo do terrorismo – que a Europa aprendeu, tragicamente, a enfrentar – mas por medo de parecer intolerante. Contudo, há momentos em que o silêncio é uma forma de rendição. O extremismo islâmico não é uma invenção da direita populista nem uma fantasia securitária. É uma realidade política e ideológica que põe em causa o coração da civilização europeia: a liberdade individual, a igualdade entre homens e mulheres e a soberania da lei democrática sobre qualquer outra lei.
1 Novembro 2025, 16h11

O radicalismo islâmico não nasceu na Europa, mas encontrou nela terreno fértil. As suas origens estão nas fraturas deixadas pelo século XX: o colapso do colonialismo, o falhanço dos regimes árabes nacionalistas, a ascensão das teocracias financiadas pelo petróleo e a humilhação política de povos que nunca encontraram um equilíbrio entre modernidade e tradição. O islamismo político prometeu o regresso a uma pureza anterior ao contacto com o Ocidente. Foi nesse regresso imaginário que nasceu a teologia da violência: a ideia de que o terror é um instrumento legítimo para reconstruir uma ordem divina.

Quando as guerras do Afeganistão e do Iraque fragmentaram o Médio Oriente, milhões de refugiados e migrantes procuraram o continente europeu. Vieram em busca de paz, mas o vazio ideológico da Europa – uma Europa envelhecida, próspera e sem fé em si mesma – abriu espaço à infiltração do radicalismo. A segunda geração, nascida já em solo europeu, cresceu entre duas rejeições: a da sociedade que os via como estrangeiros e a dos pregadores que lhes diziam que a Europa era o inimigo da sua alma.

Conteúdo reservado a assinantes. Leia a versão completa aqui. Edição do Jornal Económico de 31 de outubro.


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