A importância das equipas

A criação e a gestão de equipas multidisciplinares de alta performance deve ser tratada como uma prioridade estratégica pelas empresas. E a liderança tem um papel essencial na sua criação e manutenção.

Numa organização empresarial, uma equipa será a menor unidade organizacional à qual se pode atribuir a responsabilidade pela execução de um objetivo.

Embora muitas vezes confundida com um grupo de trabalho que privilegia a execução de objetivos individuais, a equipa está focada em entregar a resolução de um problema complexo que integra diversas disciplinas. Dependendo da organização, o desafio pode ser orientado à inovação, ao desenho de novas soluções comerciais ou à implementação de novos métodos operacionais.

Tradicionalmente as empresas estão organizadas em níveis hierárquicos e grupos de trabalho funcionais de forma a garantir performance, qualidade e alinhamento de objetivos. Baseadas na dinâmica das startups e nas empresas de desenvolvimento de software, algumas organizações adotaram recentemente a metodologia ágil (agile na denominação inglesa) para a gestão de equipas orientadas à execução de projetos.

No contexto económico atual, fortemente influenciado pela velocidade (da chegada de novos produtos ao mercado) e pela globalização, a capacidade de adaptação e de resposta a novas tendências são competências essenciais para garantir a sustentabilidade das organizações.

Criação das equipas

A criação de uma equipa está, na maior parte das ocasiões, relacionada com um processo de mudança. É imperativo reunir as competências necessárias para atingir o propósito da equipa mantendo uma dimensão reduzida para limitar o tempo gasto na gestão de relações interpessoais. O foco deve estar na escolha das competências corretas e não nas relações harmoniosas entre os membros da equipa, pois uma equipa com pelo menos um elemento desviante tende a obter melhores resultados.

Relação adulto-adulto

Na forma tradicional de organização das empresas, a relação entre o líder e os subordinados é do tipo “comando e controlo”. Para que uma equipa possa ter uma melhor performance e autonomia, a relação deve de ser do tipo “visão e entrega” em que a liderança estabelece a visão do negócio e a equipa tem a responsabilidade da entrega, ou execução da visão. Através de uma gestão ágil com objetivos baseados em resultados para o cliente, a relação entre liderança e equipa pode atingir um estatuto do tipo “adulto-adulto”, potenciando a inovação de forma incremental baseada na metodologia de mínimo produto viável (minimum viable product na língua inglesa), adaptada às necessidades específicas de cada cliente.

Alocação de poder

Para que uma equipa tenha a capacidade de executar de forma rápida e tomar decisões sobre a execução em co-criação com o cliente, ela tem de ter poder atribuído pela liderança.

E na mesma proporção, a liderança tem de estar disposta a correr riscos partilhados com a equipa, suportada na relação “adulto-adulto”.

A forma de fortalecer esta relação é através do treino da equipa no alinhamento com o propósito da empresa, de forma a balizar as ações diárias e sistemáticas dentro da visão da empresa.

Papel do líder

A liderança desempenha um papel essencial na criação e manutenção da governança de uma equipa de alta performance.

Por um lado, tem de garantir o suporte formal da organização e a disponibilidade de meios que permitam a colaboração efetiva. Por outro, tem de fornecer a formação necessária em soft skills, ou coaching, em processos de trabalho em equipa e facilitar a relação com outros stakeholders, internos e externos.

Quando o líder tem competências técnicas relevantes para o funcionamento da equipa, deve transferir o seu conhecimento de forma distribuída para aumentar a autonomia e a motivação da equipa.

Em resumo, a criação e a gestão de equipas multidisciplinares de alta performance deve ser tratada como uma prioridade estratégica pelas empresas. Além da motivação dos colaboradores, o desempenho destas equipas pode ser uma fonte de vantagens competitivas sustentáveis e ter um grande impacto na criação de uma cultura de colaboração organizacional.

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