A promessa não cumprida da ligação anual ferry

Com a entrada em campo do vice-presidente Pedro Calado, rapidamente uma operação anual prometida, passou a sazonal. Passados 4 meses, e acabado de chegar ao Governo, Pedro Calado contradiz e “cala” claramente Miguel Albuquerque, afirmando que não se justifica ter um ferry a operar durante todo o ano

A súmula deste pequeno texto, ou a alternativa de um outro eventual título, poderia ser “a verdade da mentira”. Ou seja, aquilo que foi uma expetativa criada e uma assunção da palavra dada (com factos indesmentíveis), com o tempo passou a ser reduzida, e circunscrita, a uma operação de três meses.

A promessa do estabelecimento da ligação anual da linha ferry entre a Madeira e o Continente português constou do manifesto eleitoral do PSD, do Programa de Governo e no texto da consulta internacional realizada em 2016 aos armadores, onde se defendiam uma ligação regular, durante todo o ano, e sem interrupções.

Vamos às fontes, que comprovam essa promessa.

O relatório da Consulta internacional para a ligação marítima, de janeiro de 2016 (documento produzido pela APRAM) refere-se ao “restabelecimento de uma linha regular” (p.6), e a “operar diretamente entre a Madeira (porto do Funchal ou Caniçal) e um dos portos do continente português (Portimão, Setúbal ou Lisboa), com frequência regular (…).

A 3 de agosto de 2017, em declarações à RTP-M, o presidente do Governo, Miguel Albuquerque, defendia a ligação por ferry durante todo o ano, referindo que o Governo se encontrava “a analisar as propostas, e vamos ter esta operação todo o ano para a Madeira”.

Com a entrada em campo do vice-presidente Pedro Calado, rapidamente uma operação anual prometida, passou a sazonal. Passados 4 meses, e acabado de chegar ao Governo, Pedro Calado contradiz e “cala” claramente Miguel Albuquerque, afirmando que não se justifica ter um ferry a operar durante todo o ano:

“Ou seja, não se justifica ter um ferry a operar durante o ano inteiro, quando não há procura para essa operação. Situação que fazia com que, pelo preço que foi determinado, os operadores tivessem muita dificuldade em encontrar uma solução que financeiramente justificasse a operação. Agora, adaptando pelo mesmo custo, pelas mesmas características, a uma situação sazonal, em que há efetivamente procura”. (Telejornal da RTP-M / 19 de dezembro de 2017).

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