A um Bruno Conhecido…

Ao contrário do que diz Sobrinho, Carvalho não é um mero assalariado. É o responsável, pelo menos moral, pelo que se passa no Sporting e foi, com os sucessivos discursos de ódio, o instigador do atual estado do clube.

(Única sportinguista de quatro irmãos, mesmo após anos de silêncio envergonhado e imposto por mim mesma para não prejudicar terceiros, nunca me imaginei a escrever sobre o meu clube nestes termos. Quando me perguntavam porque sou do Sporting a minha resposta foi sempre a mesma: era o clube onde os fins não justificavam os meios e isso bastava-me. Até agora. Entre os designados “croquetes” e esta turba que invadiu o clube, embora legitimada por eleições, estou com os seus atletas e os verdadeiros adeptos do Sporting. Sempre. E, por pior que tenha corrido a Taça, deixo aqui o meu agradecimento aos que jogaram e aos que permitiram que jogassem, não obstante tudo. Obrigada.)

Procurando ser positiva, a única coisa boa que vislumbro no actual estado do Sporting é o desaparecimento do pequenino homem que diz ser seu Director de Comunicação e que nunca esteve à altura do seu cargo.

As últimas semanas ficarão para sempre na memória, quer pela brutalidade do ataque ao que é o principal activo do Clube, quer ainda pelo facto de um director, cuja carreira até ali chegar é desconhecida, ser suspeito nos termos em que o é, quer por último pelas lastimáveis cenas do Presidente. Uma alma que afirma que um ataque, cujos contornos são no mínimo estranhos, “foi chato” e que temos de estar habituados a conviver com o crime é alguém que nunca deveria ter chegado, sequer a sócio, quanto mais a Presidente do Sporting. Por seu turno, um Presidente de Mesa que diz uma coisa e o seu oposto num espaço de minutos é, também, alguém cuja credibilidade, num momento em que a mesma é especialmente precisa, se perdeu há muito.

A crise no Sporting é profunda e não se resolve com operações de cosmética, como as que se têm sucedido a um ritmo alucinante. É certo que Carvalho foi legitimado quando tudo indicava que não o deveria ter sido, não sem antes ter promovido a sua própria mulher. Também parece certo que alguns elogiam a gestão que fez no seu primeiro mandato, sendo que, a este título, não deixo de realçar que alguns dos despedidos por si foram substituídos pelas pessoas que temos visto ultimamente nas notícias.

Contudo, e ainda que a dita gestão do primeiro mandato fosse tão espectacular quanto dizem, o espectáculo degradante a que temos assistido não apenas justifica como impõe a demissão de Bruno de Carvalho. E para ontem porque hoje é, já, tarde demais. Ao contrário do que diz Sobrinho, Carvalho não é um mero assalariado (e, menos ainda, ao seu – dele, Sobrinho – serviço), sendo, ao invés, o responsável, pelo menos moral, pelo que se passa no Sporting e foi, com os sucessivos discursos de ódio, o instigador do actual estado do clube que lhe paga principescamente. Basta.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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