PremiumA vacina e as bolsas: Braço de ferro entre a injeção de otimismo e a realidade imediata

Após a reação eufórica e ganhos nas bolsas à notícia da eficácia de 90% na vacina da Pfizer e da BioNTech na semana passada, os resultados dos testes da Moderna foram recebidos com mais contenção, apesar de uma eficácia superior e vantagens em termos de armazenamento. O efeito da eleição de Joe Biden para a Casa Branca, que tinha ajudado aos ganhos na semana passada, já está dilúido, tal como está o factor surpresa sobre a vacina. Em sentido contrário, o aumento do número de infeções e mortes em várias regiões deve levar a mais restrições e danos económicos permanentes, preocupações que se sobrepõem ao otimismo sobre a vacina.

Não há nada como a primeira vez. A notícia pela qual os mercados, os investidores, na realidade toda a humanidade, ansiavam chegou no dia 9 de novembro, pelas mãos da Pfizer e da BioNTech. À novidade de que os resultados dos testes da parceria para a vacina contra a Covid-19 mostravam uma eficácia de 90%, a reação foi eufórica.

Em Wall Street, o índice Dow Jones Industrial Average disparou 835 pontos, ou quase 3%, no melhor desempenho desde junho. O S&P 500 subiu 1,17% para os 3.550 pontos, levando o banco de investimento norte-americano J.P. Morgan a rever em alta a previsão para o final do ano, dizendo que poderá ultrapassar os 4.000 pontos já no início de 2021 e acabar o próximo ano perto dos 4.500 pontos. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 disparou 6,36% e o português PSI 20 acelerou 4,50%.

Há momentos em que explicar o movimento dos mercados acionistas é um exercício de simplificação de vários fatores complexos e muitas vezes contraditórios. Neste caso era o contrário. Analistas e jornalistas não conseguiam senão oferecer a explicação mais clara e simples. “Os resultados robustos da vacina da Pfizer foram melhores que o esperado, e significam que podemos ‘reabrir’ [a economia] mais cedo do que esperado”, disse Ryan Detrick, chief market strategist da LPL Financial, no dia do anúncio.

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