Abanca terá oferecido entre 230 e 260 milhões pelo EuroBic

Este cálculo considera o capital próprio, mas recorrendo ao método de avaliação comum no mercado de capitais, o price to book value, ou seja, o valor atribuído pelos investidores em função dos capitais próprios.

O preço oferecido pelo Abanca por 95% do EuroBic oscila entre os 230 milhões e os 260 milhões de euros. Este valor terá de ser confirmado depois da due-dilligence que o banco liderado por Juan Carlos Escotet e Francisco Botas irá fazer e que deverá demorar no máximo 40 dias.

Segundo uma fonte do setor financeiro, a oferta do Abanca sobre o EuroBic foi feita ao múltiplo de 0,45 vezes o price to book value. Ora, o valor dos capitais próprios do EuroBic em setembro de 2019 (últimos dados disponíveis), era de 557,67 milhões de euros, sendo que 45% disso resulta em 251 milhões de euros.

Como o Abanca só oferece 95%, o valor da oferta totaliza 238,4 milhões. Mas como o valor da situação líquida (book value) no fim do ano deve ter subido para 600 milhões de euros, então 45% disso soma 270 milhões de euros. Mas como estamos a falar de 95% o valor oferecido neste caso soma 256,5 milhões.

Este cálculo considera o capital próprio, mas recorrendo ao método de avaliação comum no mercado de capitais, o price to book vakue, ou seja, o valor atribuído pelos investidores em função dos capitais próprios.

O rácio aplicado na oferta do Abanca considera o rácio a que está a transacionar o único banco português a negociar na bolsa de Lisboa, o BCP, de 0,45 vezes.

Com base naquele intervalo, os 42,5% de Isabel dos Santos no EuroBic podem render à empresária um encaixe entre os 101,32 milhões e os 109 milhões. O destino deste encaixe é uma incógnita, num momento em que as contas da empresária em Portugal estão arrestadas.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou na terça-feira que “o Ministério Público requereu o arresto de contas bancárias, no âmbito de pedido de cooperação judiciária internacional das autoridades angolanas”, escusando-se a comentar sobre o possível arresto de património de Isabel dos Santos em Portugal.

Em Angola, além de contas bancárias, os bens da empresária também foram alvo de arresto. Para já, em Portugal, não estão arrestados bens de Isabel dos Santos, nomeadamente as participações que detém em empresas.

Segundo fontes próximas do processo, o acordo de venda de 95% do EuroBic ao Abanca não foi beliscado pelo anúncio do arresto em Portugal de que foi alvo Isabel dos Santos. Isabel dos Santos é dona de 42,5% do EuroBic, detém 50% da Zopt – principal acionista da NOS -, é acionista indireta da Galp Energia e detém a maioria do capital da Efacec.

O arresto das contas bancárias em Portugal foi noticiado terça-feira pelo Expresso e pelo Jornal Económico, que referiu que as autoridades angolanas querem que sejam congelados bens e participações no valor de mais de 2,0 mil milhões de euros.

Segundo o Jornal Económico, o Ministério Público em Portugal solicitou o arresto de dezenas de contas bancárias de Isabel dos Santos e das suas empresas, bem como do seu marido Sindika Dokolo. Mas a Efacec esclareceu num comunicado que as suas contas não se encontram arrestadas.

A porta-voz da procuradoria-geral angolana, Álvaro João, explicou ao jornal Público que o congelamento das contas foi pedido no âmbito do processo cível que corre no Tribunal Provincial de Luanda que na antevéspera do Natal determinou o arresto de contas bancárias e de participações sociais de Isabel dos Santos, do seu marido Sindika Dokolo e do empresário português Mário Leite da Silva, parceiro de negócios do casal. O procedimento cautelar – a ação principal só deve dar entrada a 1 de Março no tribunal de Luanda – pretende garantir que, caso o Estado angolano vença este processo, há dinheiro e bens para ressarcir o erário publico de Angola.

A justiça angolana calcula que, dos vários negócios em que os três intervieram relacionados com empresas públicas, originaram perdas para o erário público angolano que ultrapassam os mil milhões de dólares norte-americanos

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