Acciona quer dar mais energia a grandes empresas

A comercializadora espanhola entrou no mercado nacional em 2015, mas já conta com 500 contratos firmados. A Acciona vai manter a sua aposta nos grandes consumidores e na indústria nos próximos anos em Portugal.

A Acciona vai continuar a apostar em dar energia às grandes empresas em Portugal. A companhia espanhola entrou no mercado liberalizado nacional em 2015 e vai manter a sua estratégia.

“Do ponto de vista da comercialização, temos vindo a crescer. Temos clientes de referencia a nível nacional, como a Altice, a Autoeuropa, o grupo Bosch, Makro, Sonae, Arauco, Coca-Cola, entre outros. Temos um leque de clientes corporativos e industrial muito grande, e é aí que nos vamos manter focados”, diz Aprígio Guimarães da Acciona.

No segmento de grandes consumidores, a Acciona ocupa a sexta posição, com uma quota de mercado de 4,4% em termos de consumo. Entre os consumidores industriais, surge na sétima posição, com uma quota de mercado de 3,3%, segundo os dados mais recentes da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Estes dois segmentos de mercado são dominados como a Iberdrola, Endesa ou a EDP, com a Acciona a enfrentar estas gigantes ibéricas. “Este é um mercado bastante competitivo, um mercado com volumes muito grandes de energia e de negócio, mas com margens reduzidas”, destaca Aprígio Guimarães. “É um mercado difícil, mas é um mercado onde temos vindo a ter um crescimento muito significativo. Desde 2016 temos vindo a crescer, atualmente temos um terawatt de energia comercializado com cerca de 500 contratos”, adianta.

Os contratos neste mercado têm, habitualmente, uma curta duração, mas este cenário tem vindo a mudar. “Tipicamente, o mercado português tende a negociar contratos anualmente, o que se revela um risco, mas penso que o mercado esta a mudar”, analisa o responsável. “Há uma tendência clara dos clientes de olharem para o mercado no médio prazo. Temos feito muitas negociações a três e a cinco anos, alguns dos clientes que referi têm contratos com esta maturidade”.

A comercializadora espanhola sublinha que o “mercado está a mudar. O consumidor passou a estar no centro com os comercializadores a responderem às necessidades dos clientes: contratações de longo prazo, energia verde, os chamados PPA [contratos de venda de energia de longo prazo]. Há aqui uma procura de temas que antigamente não existiam e aos quais nós somos obrigados a dar resposta”.

Sobre os certificados de garantia de origem, a empresa diz estar interessada nos mesmos quando forem regulamentados em Portugal.

Questionado sobre se a Acciona poderia vir a apostar em vender eletricidade a famílias, a companhia garante que esse não é o objetivo. “O nosso foco é o setor industrial. Odoméstico não está previsto ser o nosso foco, mas eventualmente podemos alargar os nossos horizontes em termos de clientes mais pequenos”, afirma Aprígio Guimarães.

A comercializadora está com uma expectativa otimista para o mercado nacional para os próximos anos. “A nossa missão é crescer, claramente”, afirma, por seu turno, o diretor-geral da Acciona Portugal, Manuel Barbosa.

Ogestor, no entanto, rejeita avançar com previsões para o crescimento. “Não existe um número mágico”, afirmou, destacando que a empresa “começou do zero em 2015” e que agora vende um terawatt hora.

Tal como em Espanha, a Acciona também produz eletricidade renovável em Portugal, contando com 16 centrais eólicas com uma potência de 120 megawatts (MW) e com a central solar fotovoltaica da Amareleja, distrito de Beja, com 46 MW. Questionado sobre se pretendia entrar no leilão de energia solar, a Acciona optou por não avançar agora.

“Estrategicamente, face ao nosso plano de desenvolvimento de atividades de crescimento em Portugal, a nossa decisão foi não avançar. O que não invalida que nós nas próximas fases não o reconsideraremos, numa lógica de crescimento da nossa atividade de produção de energia”, afirmou Manuel Barbosa.

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