Até agora ‘estrelas da companhia’, as empresas tecnológicas, que registaram valorizações significativas com o maior investimento em inteligência artificial, começam agora a ter um crescimento mais lento. Desta forma, as ações destas empresas são quem mais sofre. Numa altura em que as estratégias financeiras que mais resultaram até aqui parecem comprometidas, parece sensato, refere a consultora XBT, avaliar caminhos alternativos, nomeadamente focados nas ações defensivas, ou seja, cujos resultados financeiros são menos sensíveis aos ciclos económicos. Estas incluem, normalmente, sectores como: serviços de utilidade pública (energia e infraestruturas); cuidados de saúde; e bens de consumo básicos.
A Europa está a dar especial atenção às empresas relacionadas com a defesa, impulsionadas pelo aumento das tensões geopolíticas. Um exemplo bem visível desta tendência, refere a XTB, é a Alemanha, historicamente hesitante em assumir novas dívidas, mas que agora começa a aliviar as restrições fiscais. “O país planeia investir 500 mil milhões de euros em infraestruturas e, com o seu objetivo de despesas com a defesa a aproximar-se dos 3% do PIB, as despesas totais poderão superar a ordem dos mil milhões e chegar mesmo a atingir mil milhões nos próximos anos”.
Além disto, a UE poderá canalizar até 800 mil milhões para iniciativas no domínio da defesa, sendo que 650 mil milhões de euros serão diretamente provenientes dos Estados-membros (incluindo uma proposta para excluir as despesas militares dos limites da dívida) e um montante adicional de 150 mil milhões será potencialmente financiado através da emissão conjunta de dívida.
“Crucialmente, este aumento gigantesco de investimento poderia prosseguir independentemente de um abrandamento na procura dos consumidores europeus, refletindo uma mudança fundamental nas prioridades orçamentais. Esta estratégia está a funcionar como um íman para os investidores que procuram soluções alternativas ao investimento nos Estados Unidos”.
As ações defensivas são modestas nos períodos de expansão, mas resistentes nas tempestades. Embora as ações defensivas raramente ofereçam rendimentos significativos durante os mercados em alta, a sua estabilidade torna-se uma vantagem fundamental em tempos de incerteza.
Tal como nos mostra os dados, a valorização das empresas americanas já estagnou e parece ter iniciado uma fase de receção, que pode ser agravada se os consumidores resistirem ao inevitável aumento dos preços, refere a consultora. Já as ações da indústria da defesa, que não acompanharam as ações das maiores empresas americanas quando estas descolaram, parecem não sentir qualquer efeito do clima de incerteza que está a afetar tanto os mercados.
Desde o início da guerra na Ucrânia, as ações das empresas europeias do setor da defesa tiveram um desempenho excecional – e, após a vitória de Donald Trump, essa tendência acelerou. Com as várias declarações de membros da NATO a apelar a um aumento dos orçamentos da defesa e com o agravar de riscos geopolíticos – especialmente se os EUA optarem por uma retirada de apoios à Ucrânia – a expectativa de que a indústria da defesa europeia venha a crescer de forma ainda mais significativa nos próximos tempos disparou.
Simultaneamente, a indústria da defesa norte-americana parece viver um momento de retração, contra aquilo que alguns analistas apontavam. O ressurgimento do isolacionismo americano e uma atenção renovada à disciplina fiscal lançam dúvidas sobre se os EUA continuarão a subsidiar fortemente os seus fornecedores de defesa. Também levanta questões sobre se todas as categorias de armas, nomeadamente as consideradas dispendiosas ou desatualizadas, vão continuar, refere a XTB, a receber apoios à produção. Esta tendência de desinvestimento está claramente a afetar o desempenho das empresas americanas dedicadas à defesa e, com uma opção claramente viável na Europa, esta retração deverá manter-se pelos próximos tempos.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com