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Acordo com Mercosul “é uma oportunidade de crescimento”

Luiz Caetano, presidente da associação empresarial do Rio de Janeiro, a Firjan, não tem dúvida quanto aos benefícios do acordo. Mas recorda que o Rio capta IDE com grande facilidade.
13 Março 2026, 11h00

O Congresso brasileiro acaba de aprovar a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul – etapa essencial que, para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), uma das mais poderosas estruturas associativas empresariais do Estado do Rio de Janeiro, abre excelentes perspetivas para as empresas dos dois lados do Atlântico. Em visita a Portugal, Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, disse, em declarações ao JE, que o acordo “é uma oportunidade de crescimento para as duas partes, tanto para o Brasil quanto para Portugal”. Salientando que o Brasil tem uma corrente de comércio bastante significativa com Portugal, da ordem de 4,5 mil milhões de dólares, “o acordo amplia essa oportunidade”.

Saudando o facto de “Portugal, desde o início, ter sido sempre um defensor do acordo”, Luiz Césio Caetano não valoriza o facto de o acordo estar por estes estacionado num tribunal europeu: acho que a Europa é muito grande e tem muitos interesses diversos, mas é um mercado fantástico de 700 milhões de pessoas envolvidas”. “Hoje o principal segmento do comércio entre os dois países é energia e petróleo, mas acho que existem outros segmentos, como a construção civil, a siderurgia, a alimentação, entre outros”, cuja expansão está garantida. Até porque o acordo elimina as pesadas pautas aduaneiras que o Brasil levantava à importação de bens portugueses: “existe uma redução das pautas, com salvaguardas – na medida em que houver qualquer dificuldade, a salvaguarda está aberta para ser discutida”. “É isso que cria oportunidades de negócio, porque abre de uma forma eu diria que automática, essa discussão para o entendimento, para o desenvolvimento dos negócios”.

Um Brasil em abertura
O acordo com a União Europeia é, no caso do Brasil, apenas mais um: o presidente, Lula da Silva, acaba de estar na Índia, onde também procurou encontrar acordos comerciais. “O governo brasileiro tem procurado abrir, em função da geopolítica, acordos que estão a ser implementados. Com a EFTA recentemente, com a Índia; temos um acordo bilateral em discussão com o Japão. É uma tendência do mundo atual. E Portugal, com essa conexão tão íntima, histórica, sem barreiras de língua, pode juntar-se a esse movimento que o Brasil esta a fazes”, afirma Luiz Césio Caetano.

Uma resposta às tarifas severas que a Casa Branca impôs sobre o Brasil? “Acho que sim”. O primeiro país parceiro comercial do Brasil é a China, o segundo é os Estados Unidos – e a geopolítica atual “mostrou a importância de um país ter uma diversidade em acordos comerciais, sejam bilaterais, sejam acordos mais coletivos. Precisamos de ter opções”.

Sendo certo que o Brasil tem algumas riquezas que precisam de ser melhor exploradas, é rico em minerais, é rico em energias renováveis (70% da energia gerada), é rico em água, “acho que existem potencialidades que o Brasil precisa de explorar melhor. E precisa de arranjar os parceiros, os bons parceiros para desenvolver essas potencialidades comerciais e económicas”. E também tem minerais: ferro, alumínio e minerais críticos – entre eles o nióbio – urânio e potencial em terras raras. “Parece-me que a Europa pode beneficiar com isso exatamente por via do acordo com o Mercosul”.

O Estado do Rio de Janeiro tem para oferecer ao mundo uma parceria para o desenvolvimento de um bom ambiente de negócios. Temos muito petróleo, temos uma indústria siderúrgica bastante forte, uma indústria automobilística que é a segunda maior do país, depois de São Paulo – onde já estão instaladas “grandes marcas como a Volkswagen Camiões, como a Nissan, como a Stellantis. E a indústria alimentar também”.


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