Acordos diretos para ligar centrais solares à rede já atingem os 3,5 gigawatts

Estes acordos são realizados diretamente entre os promotores e os operadores da rede para fazer a ligação das centrais à rede elétrica, de forma a escoar a eletricidade. Nestes casos, o investimento é suportado pelos donos das centrais.

Os acordos diretos para ligar centrais solares à rede elétrica já atingem os 3,5 gigawatts (GW). São 14 projetos no total cuja capacidade ultrapassa em muito a potência já atribuída através de dois leilões: cerca de dois gigawatts.

“Através dos acordos bilaterais, já foram aprovados 14 projetos de energia solar fotovoltaica, do norte ao sul do país, num total de 3,5 gigawatts”, revelou na quarta-feira, 17 de fevereiro, o ministro do Ambiente.

Estes acordos bilaterais constam em acordos diretos entre os promotores e os operadores da rede (REN e EDP Distribuição) para fazer a ligação das centrais à rede elétrica, de forma a escoar a eletricidade.

Estes acordos só são realizados “quando existe capacidade disponível nessa rede, recaindo sobre os promotores o custo de investimento na rede”. Estes acordos têm uma particularidade, quando são comprados passam a ser detidos para sempre pela adquirente. Quando estiverem em funcionamento, estas centrais não têm direito a qualquer remuneração, tendo de vender a sua eletricidade em mercado.

A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) criticou anteriormente estes acordos diretos. Em outubro, o presidente da APREN apontava que este tipo de regime retirava uma grande fatia da potência solar prevista até 2030. “Vamos ficar apenas com 5,5 gigawatts”, disse então Pedro Amaral Jorge ao Jornal Económico.

Também em outubro, a Redes Energéticas Nacionais (REN) revelou que já tinha recebido pedidos que ultrapassavam largamente a capacidade total que Portugal quer instalar até ao fim desta década.

A procura por rede elétrica para ligar centrais solares tem registado um grande crescimento. A REN, que transporta eletricidade em muito alta tensão, revelou em outubro de 2020 que já tinha recebido 4.400 pedidos no total de 270 gigawatts, um valor que contrasta com os nove gigawatts que Portugal quer instalar até 2030.

O administrador da REN, João Conceição, apontou na altura para a “desproporcionalidade de pedidos face à capacidade. Há mais pedidos do que a rede consegue absorver”.

Também a EDP Distribuição, responsável pela rede de alta e média tensão, assumia na altura que também estava a receber muito pedidos para ligar centrais solares à sua rede.

“Há uma pressão muito grande sobre a nossa organização, as pessoas são impacientes com os prazos, temos a organização sob muita pressão. Trabalhamos diariamente com a Direção-Geral de Energia (DGEG) e REN. Estamos preparados, é um tema que preocupa, mas que vamos ultrapassar, vamos dar conta do recado”, afirmou em outubro o presidente da EDP Distribuição, João Torres, durante a conferência anual da APREN.

Pedidos para ligar centrais solares à rede atingem os 270 gigawatts

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