Açores. PCP diz que perda de mandato “não traduz influência social e política” da CDU na região

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considera que a não eleição de deputados pela coligação que junta comunistas e ecologistas se deveu à “dispersão de candidaturas” e às dificuldades em fazer campanha devido à pandemia. Os comunistas assinalam ainda que estas eleições ficam marcadas pelo surgimento de “forças sem percurso ou contribuição real na vida política e social regional”.

O Partido Comunista Português (PCP) considera que o resultado da Coligação Democrática Unitária (CDU) nas eleições regionais dos Açores “não traduz” a sua “influência social e política” na região. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considera que a não eleição de deputados pela coligação que junta comunistas e ecologistas se deveu à “dispersão de candidaturas” e às dificuldades em fazer campanha devido à pandemia.

“A perda de representação parlamentar pela CDU constitui um resultado particularmente negativo na vida política regional, um significativo empobrecimento democrático e sobretudo uma fragilização da intervenção em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo açoriano, como aliás já foi comprovado entre 2004 e 2008, período em que a CDU não teve representação parlamentar”, afirmou Jerónimo de Sousa, em conferência de imprensa.

Segundo o líder comunista, o resultado conseguido pela CDU (1,68% dos votos, que correspondem a 1,745 votos) “não traduz quer a influência social e política da CDU, quer o reconhecimento da sua intervenção na vida política açoriana” e reconhece que a “subida significativa” da CDU no Faial “não compensou reduções de votação em outros círculos”, que acabaram por resultar na perda do único mandato que a CDU tinha no Parlamento regional.

Jerónimo de Sousa referiu que “terão pesado na não eleição de deputados pela CDU a dispersão de candidaturas, a expressão da continuada ofensiva anticomunista que não deixou de se refletir na região”, bem como “as acrescidas dificuldades que a epidemia colocou na construção da campanha da CDU que tem na participação e no contacto direto elementos centrais no esclarecimento e na mobilização para o voto”.

O PCP defende, no entanto, que a perda da maioria absoluta do Partido Socialista (PS) é em si “um sinal” de “descontentamento crescente face a uma governação que tem avolumado problemas, agravado os problema sociais, o desemprego e a pobreza, condicionado o desenvolvimento da região”. Os socialistas mantiveram-se como partido mais votado nestas eleições, com 39,1% dos votos, perdendo a maioria absoluta que tinha desde há 20 anos.

Em conferência de imprensa, Jerónimo de Sousa referiu ainda que a entrada no Parlamento açoriano de novas forças políticas, com o Chega a eleger dois dos 57 deputados e o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e Iniciativa Liberal a elegerem cada um deputado, é “inconsequente” e mostra a “descrença generalizada” na governação.

“Estas eleições ficam marcadas pelo surgimento de forças sem percurso ou contribuição real na vida política e social regional, que sem proposta ou projeto para a região encontraram campo na demagogia e na exploração de um ambiente de descrença generalizada com a falta de resposta aos seus problemas para recolha de votos que se revelarão inconsequentes”, disse o secretário-geral comunista.

Com apenas 1,68% dos votos, a CDU perdeu o único deputado que tinha no Parlamento regional. Nas anteriores regionais, em 2016, a CDU (coligação PCP/PEV) obteve 2,6%, conseguindo eleger um deputado regional, João Paulo Corvelo, pelo círculo das Flores.

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