‘Acqua Alta’. Veneza está a afogar-se

Depois de milhares de cidadãos e turistas terem ficado com a água pelos joelhos, muitos se perguntam o que vai acontecer depois das inundações

Veneza está a inundar com o próprio rio que circula na cidade. Estas estão a ser as piores cheias que a cidade italiana está a verificar, mais de 50 anos depois. De acordo com fontes oficiais italianas, os níveis da água já atingiram 1,87 metros esta semana, não estando muito longe do recorde de 1,94 metros em 1966.

A zona da Praça de São Marcos tem ficado inundada, à semelhança de diversas habitações e lojas da cidade, tanto como restaurantes. Em declarações ao ‘El País’, uma estudante de Veneza assumiu que “o pesadelo não acaba. O mau tempo não nos quer dar uma trégua”.

Esta quinta-feira, 14 de novembro, a Basílica de São Marcos permanecia encerrada devido às inundações. Muitas das lojas das cidades ficaram sem eletricidade quando ficaram inundadas. O ministério da Cultura classificou que “os danos no património são muito graves”, sendo que o Palácio Ducal e o Palácio Fortuny também estão encerrados ao público.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, declarou estado de emergência na cidade após dois dias de visita e se aperceber da gravidade dos danos. O fundo destinado para ‘salvar’ a cidade vai contar com 20 milhões de euros para fazer frente às situações mais urgentes, sendo que vão ser entregues cinco mil euros a cada residente afetado pelas cheias e até 20 mil euros por danos em lojas.

Depois de milhares de cidadãos e turistas terem ficado com a água pelos joelhos, muitos se perguntam o que vai acontecer depois das inundações. Veneza ainda está à espera que o Módulo Experimental Eletromecânico (Mose), um sistema de pequenas barreiras aprovado em 2003, funcione para estas situações. O Mose, desde que foi aprovado há 16 anos, que promete salvar Veneza das cheias e inundações.

Ao longo dos anos foram instaladas 78 barreiras mas estas nunca foram utilizadas. O Governo italiano assumiu que esta barragem pode só funcionar em 2021, ainda que o objetivo seja evitar que as cheias de 1966 se repitam.

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