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Adeus Musicbox, olá Casa Capitão

O Musicbox despede-se a 15 de setembro do Cais do Sodré, após 19 anos de alta tensão musical. Mas a vontade de agitar a cidade não esmoreceu e há um novo espaço a renascer em Lisboa para fazer acontecer as mais diversas propostas artísticas.
© Filipa Aurélio
21 Agosto 2025, 19h21

“O Musicbox encerra a 15 de setembro, após quase 19 anos de existência. Abrimos portas a 6 de dezembro de 2006, numa Lisboa muito diferente da de hoje, num bairro então abandonado e marginalizado no centro da cidade.”

Quem acompanha a programação do Musicbox ou recebe a newsletter com tudo o que ali vai acontecer, fez ontem uma aterragem forçada. O mail de despedida deste emblemático espaço de Lisboa. Foram mais de 200 concertos e 500 DJ sets por ano. Nessas quase duas décadas, centenas de pessoas fizeram parte da equipa. Em média, 100.000 espetadores frequentaram anualmente esta sala de concertos. “Quase dois milhões de presenças no total, bastante menos se contássemos os repetidos, que felizmente foram muitos”. Realça Gonçalo Riscado, cofundador do projeto a que chama “o pulmão da nossa atividade enquanto empresa de gestão cultural”.

O agradecimento a todos os que fizeram o Musicbox faz-se paralelamente ao anúncio de um futuro. Ao encerramento segue-se, a 19 de setembro, a abertura ao público da Casa Capitão, no Beato Innovation District, para onde transita toda a equipa e programação.

“Até há pouco tempo, acreditávamos que seria possível manter os dois projetos, mas tal não aconteceu. Provavelmente não faria sentido. A Casa Capitão é, por isso, o último projeto concretizado pelo Musicbox e, dessa forma, dá-lhe continuidade”, explica Gonçalo Riscado na mesma newsletter. Para logo depois frisar a importância de cuidar dos cidadãos através de políticas de habitação acessível e também de políticas culturais.

“Ao longo dos últimos anos, sob diferentes executivos autárquicos, Lisboa apostou excessivamente num modelo ilusório de crescimento, assente no turismo, na especulação imobiliária e na atração de residentes temporários com rendimentos elevados, um caminho que está a destruir o maior ativo da cidade: quem nela vive e nela se expressa culturalmente.”

A segunda vida do Musicbox poderá ser mesmo uma nova vida num espaço onde se cruzam diferentes áreas dedicadas à programação cultural, restauração e lazer, e ambientes – como salas de concertos, galerias, pátio, restaurante, terraço e áreas multiusos – pensados para acolher propostas artísticas de várias escalas e formatos. O nome a fixar é Casa Capitão, que reabre portas totalmente reabilitada para três dias de acesso gratuito, de 19 a 21 de setembro. A partir daí é ficar atento à programação que aí vem.


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