Administração da Semapa reitera que a OPA da Sodim é “oportuna e as suas condições adequadas”

“Oportuna”, com “condições adequadas” e “suscetível de ser aceite pelos acionistas” é como a administração da Semapa classifica os novos termos da OPA da Sodim, após a revisão em alta do preço, para 12,17 euros, ocorrido na semana passada.

A administração da Semapa emitiu um novo parecer favorável à OPA – Oferta Pública de Aquisição lançada pela Sodim sobre esta ‘holding’ a 18 de fevereiro passado e cujo preço foi revisto em alta para 12,17 euros por ação na semana passada.

Em comunicado enviado há minutos à CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a administração da Semapa “reitera ser seu entendimento que a oferta da Sodim é oportuna e as suas condições são adequadas”.

“(…) A contrapartida da oferta merece ser tida em consideração e é suscetível de ser aceite pelos acionistas”, conclui a administração da Semapa no referido documento.

Após a subida do preço oferecido por cada ação da Semapa, anunciada pela Sodim a 6 de abril passado, de 11,4 para 12,17 euros por ação da ‘holding’, a administração da Semapa constata que “este aumento do montante da contrapartida representa um aumento de 6,8% face ao valor da contrapartida inicialmente oferecida”.

“A presente oferta, tendo em conta a contrapartida revista, representa um prémio de 46,1% em relação ao preço médio ponderado das ações da Semapa no mercado regulamentado Euronext Lisbon no período que mediou entre a declaração da pandemia (11 de março de 2020) e a data do anúncio preliminar (18 de fevereiro de 2021), o qual é de 8,33 euros (…). Em relação aos valores mais recentes de cotação da ação da Semapa, a oferta representa: a) um prémio de 28,1% em relação à última cotação de fecho das ações no mercado regulamentado Euronext Lisbon antes da publicação do anúncio preliminar, ou seja, em 18 de fevereiro de 2021, a qual foi de 9,50 euros (…) por ação; b) um prémio de 46,5% em relação ao preço médio ponderado das ações no mercado regulamentado Euronext Lisbon nos seis meses imediatamente anteriores, à data de 18 de fevereiro de 2021, o qual é de 8,31 euros (…) por ação”, adianta o comunicado enviado à CMVM.

De acordo com esse documento, “tendo em conta a contrapartida revista da oferta”, o novo  preço proposto pelas ações da Semapa representa um “prémio implícito” de ade 28,1% face à cotação de fecho na véspera do anúncio preliminar da OPA, a 18 de março, mas também um prémio de 33% em relação à média ponderada das respetivas cotações a um mês; de 33,7% na média a três meses; de 46,5% na média a seis meses; de 46,3% na média a nove meses; e de 39,9% na média a 12 meses.

Quanto aos ‘price targets’ que têm sido propostos por diversos analistas, a administração da Semapa relembra que a cobertura de ‘research’ da ‘holding’ está limitada a três instituições: CaixaBI/ESN, CaixaBank BPI e JB Capital Markets.

“(…) A Semapa tem transacionado historicamente com um diferencial face à média dos ‘price targets’ dos analistas, o qual foi em média de 44,2%, no período compreendido entre 18 de fevereiro de 2019 e a data de publicação do anúncio preliminar, ou seja, em 18 de fevereiro de 2021, apesar de os ‘price targets’ apresentados por estes analistas já incluírem um desconto de ‘holding’ de cerca de 20%. Constata-se assim que os ‘price targets’ dos analistas têm mantido sistematicamente um diferencial relevante relativamente ao valor atribuído pelos investidores nas transações efetuadas em mercado”, admite a administração da Semapa.

“Não obstante, e mesmo tomando como referência os ‘price targets’ dos analistas, a presente oferta, tendo em conta a contrapartida revista, apresenta uma diferença positiva de 15,3 pontos percentuais no diferencial correspondente à média dos ‘price targets’ que se verificava à data da publicação do anúncio preliminar no dia 18 de fevereiro de 2021”, assinala o referido documento.

Segundo a análise da administração da Semapa, a média dos ‘price targets’ que os analistas têm proposto para a ‘holding’ é de 17,5 euros por ação, o que traduz um diferencial de 45,7% face ao preço de cotação de fecho das ações da Semapa a 18 de fevereiro, que era de 9,5 euros por título.

Esse diferencial baixou para 30,5% com a última revisão de preço para 12,17 euros por ação.

Para efeitos de análise de prémios pagos em transações de dimensão comparável a esta OPA, a administração fez um estudo comparativo em que forma consideradas todas as OPA de valor superior a 100 milhões de euros, lançadas em Portugal e Espanha nos últimos dez anos, ou seja, desde 2011, e que tenham sido concluídas com sucesso.

A média ajustada exclui o valor máximo e o mínimo da amostra das OPA consideradas, esclarece a administração da Semapa.

“(…) Constata-se que o prémio de 28,1% implícito na oferta face ao preço de fecho da ação anterior ao anúncio preliminar é superior em cerca de 18,2 pontos percentuais à média ajustada dos prémios pagos em transações comparáveis realizadas em Portugal desde 2011, cujo valor ronda 9,9% (…)”, assinala o documento enviado para a CMVM.

A administração da Semapa defende ainda que “quando analisado o prémio implícito na oferta, tendo em conta o aumento do montante da contrapartida da oferta, em relação ao preço médio ponderado (VWAP) da ação nos seis meses anteriores ao anúncio preliminar de 46,5%, este encontra-se 30,0 pontos percentuais acima dos prémios historicamente pagos em transações comparáveis concluídas em Portugal desde 2011, cujo valor ronda 16,5% (…)”.

“Englobando Espanha na análise aos prémios pagos em transações comparáveis à oferta, tendo em conta o aumento do montante da contrapartida da oferta, o prémio de 28,1% implícito na oferta face ao preço de fecho da ação anterior ao anúncio preliminar é superior à média ajustada dos prémios pagos em transações comparáveis realizadas na Península Ibérica desde 2011, cujo valor é de 16,9%. Face ao preço médio ponderado (VWAP) da ação nos seis meses anteriores ao anúncio preliminar este prémio é de 46,5%, acima dos prémios em transações comparáveis concluídas na Península Ibérica desde 2011, cujo valor é de 21,2% (…)”, assegura a administração da Semapa.

O estudo efetuado pela administração da Semapa inclui na amostra sete OPA realizadas em Portugal nos últimos dez anos, uma delas à própria Semapa, em 2015. Não são esclarecidas quais as OPA analisadas em Espanha.

Segundo esta análise comparativa, o preço revisto em alta da OPA em curso à Semapa pressupõe um prémio de 46,5%, quando as OPA da Brisa (2012), com 12,7%; Cimpor (2012), com 8,3%; Sonaecom (2013), com 34,1%; ES Saúde (2014), com 39,5%; Semapa (2015), com 17 ,5%; BPI (2016), com 0%; e EDP Renováveis (2017), com 9,8%, estiveram sempre abaixo deste nível de prémio.

A administração da Semapa conclui ainda que a OPA em curso engloba um prémio de 28,1% face à cotação de fecho antes do anúncio preliminar, quando a média ajustada de transações comparáveis na Península Ibérica segundo este mesmo preceito nos últimos dez anos é de 16,9%

Esse prémio sobe para os referidos 46,5% se tivermos em conta a média da cotação nos seis meses anteriores ao lançamento da OPA, quando, segundo esse mesmo preceito, a média do prémio das OPA concretizadas na Península Ibérica nos últimos dez anos se situa nos 21,2%.

Além da questão da alteração do preço em alta, a administração da Semapa considera que o que consta do relatório do conselho de administração da Semapa, divulgado a 5 de março passado, “se mantém atual”.

Atualizada às 20h10m

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