ADRAL: Alentejo tem “condições ideais” para atrair investimento na Califórnia

A economia do Alentejo “está bem diferente de décadas anteriores” e as infraestruturas oferecem “condições ideais” para captar o interesse de investidores da Califórnia, disse à Lusa o presidente da Associação de Desenvolvimento Regional do Alentejo

A economia do Alentejo “está bem diferente de décadas anteriores” e as infraestruturas oferecem “condições ideais” para captar o interesse de investidores da Califórnia, disse à Lusa o presidente da Associação de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL).

José Calixto falava à margem de uma missão de promoção dos clusters agroalimentar e portuário do Alentejo, que decorre esta semana por toda a Califórnia no âmbito do projeto Alentejo Global Invest.

Embora reconheça que “o Alentejo tem um caminho a percorrer em termos de notoriedade” e que a baixa densidade populacional pode ser encarada como um problema, o presidente frisou que esta é também uma oportunidade. “É um dos melhores locais do mundo para viver e queremos transportar isso para um dos melhores locais do mundo para investir”, indicou.

A comitiva portuguesa ligada ao segmento agrícola inclui a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), a Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz e a Associação dos Agricultores do Baixo Alentejo, além de uma dúzia de empresas do setor, em representação dos 110 mil hectares que a barragem de Alqueva está a irrigar.

“O Alqueva é uma das grandes infraestruturas que o Alentejo tem, com capacidades múltiplas, e temos que dizer ao mundo que a temos”, disse o presidente do conselho de administração da ADRAL, explicando que um dos objetivos é dar a conhecer as capacidades de uma região que não é tão conhecida como outras zonas agrícolas europeias.

Esta componente de promoção do setor agroalimentar alentejano está a ser feita com foco no vale central da Califórnia, onde existe uma grande comunidade luso-americana e a atividade agropecuária é dominante.

É precisamente nesta zona que decorre esta quinta-feira o seminário “Oportunidades de Agronegócio em Portugal”, organizado pela AICEP e EDIA na Universidade Estadual da Califórnia, Fresno, com a presença da cônsul-geral de Portugal em São Francisco, Maria João Lopes Cardoso.

“O agroalimentar expandiu exponencialmente nos últimos anos com o perímetro de rega da barragem de Alqueva”, afirmou José Calixto, referindo que está em curso um projeto de expansão com investimento de 550 milhões de euros que irá aumentar a zona de regadio em 40%.

“Esse terreno que vai ser irrigado é uma oportunidade para os que queiram apostar numa zona da Europa que está servida por um dos maiores portos de águas profundas, uma entrada no continente europeu, e uma ligação preferencial com a América por estar na ponta Oeste”, resumiu o presidente.

A expansão do regadio abrirá possibilidade de novas culturas “e, portanto, a aproximação com investidores californianos faz todo o sentido”, disse José Calixto.

“Temos que posicionar uma região emergente devidamente e esperar que os resultados apareçam com base nesse trabalho”, sublinhou.

É isso que está a acontecer na sequência de missões anteriores a outros países, sendo um dos exemplos mais recentes o da China, para onde a área agroalimentar vai exportar carne de porco no valor de 300 milhões de euros entre 2019 e 2020.

O presidente salientou a importância da AICEP nesta deslocação, referindo que a capilaridade e proeminência local da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal tem sido fundamental nas missões do Alentejo Global Invest.

O projeto, que é financiado pelo Programa Operacional Regional Alentejo 2020, tem como objetivo principal a promoção externa do Alentejo em diversos mercados internacionais.

Segundo explicou José Calixto, há a intenção de levar também à Califórnia o setor das novas tecnologias de informação, “com um conjunto de players que temos instalados no território e a possibilidade de captar novos investimentos.”

A outra componente da missão, que decorre paralelamente ao setor agroalimentar, visa promover o Porto de Sines como ponto de entrada das exportações de gás natural liquefeito dos Estados Unidos para a Europa, captar investimento das indústrias petroquímica e química para a Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), e atrair interessados no concurso para o futuro terminal de contentores Vasco da Gama.

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