Advogado do hacker: “Os corruptos em Portugal brincam enquanto Rui Pinto continua preso”

Advogado francês do hacker diz-se orgulhoso de defendê-lo e compara-o ao norte-americano Edward Snowden pela revelação do Luanda Leaks.

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Um dos advogados de Rui Pinto criticou hoje o tratamento dado pelas autoridades portuguesas ao hacker, defendendo a sua proteção.

“Os corruptos em Portugal brincam, enquanto Rui Pinto está preso sem sentido. Exigimos a sua proteção”, disse William Bourdon nas redes sociais esta segunda-feira.

“Rui Pinto é o orgulhoso denunciante do Luanda Leaks. Tenho orgulho em defendê-lo”, afirmou o advogado francês. “Como John Doe (Panama Papers) eles são os Snowden da corrupção internacional”, acrescentou.

Esta segunda-feira foi revelado que Rui Pinto é a fonte dos 715 mil documentos revelados no âmbito da investigação jornalística Luanda Leaks. A revelação foi feita por William Bourdon e pela Plataforma para a Proteção de Denunciantes em África (PPLAAF), organização da qual o advogado é diretor, assim como pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ).

A investigação do ICIJ fez várias revelações sobre os negócios da empresária angolana, a partir de 715 mil documentos. Esta operação contou com a participação de 6 meios de comunicação social de 20 países, incluindo o jornal Expresso e a televisão SIC em Portugal.

“Os documentos tiveram origem num cidadão preocupado, alguém que tomou a atitude certa pelo interesse público”, segundo o diretor do ICIJ, Gerald Ryle.

Angola “com elevadas taxas de desigualdade e corrupção alargada”

A Plataforma PPLAAF disse hoje em comunicado que desde a publicação dos Luanda Leaks, a “consultora PWC anunciou que uma investigação interna está a ser conduzida e que deixou de trabalhar com certos indivíduos e empresas relacionadas como o esquema. EuroBic, um banco sediado em Lisboa com Isabel dos Santos como a maior acionista, disse a 20 de janeiro que estava a terminar a sua “relação comercial” com ela”.

“Apesar de ter extensos recursos naturais e uma economia em rápido crescimento, Angola permanece um dos países mais pobres no mundo, com elevadas taxas de desigualdade e corrupção alargada”, disse a PPLAAF.

“José Eduardo dos Santos foi presidente de Angola de 1979 a 2017. Durante a sua presidência, a corrupção foi endémica, e ele foi regularmente acusado de enriquecer a sua família, incluindo através de nepotismo. A sua filha foi apontada presidente da Sonangol, a petrolífera angolana, e o seu filho presidente do fundo soberano de Angola”, acrescenta.

Revelações provocaram 10 demissões no espaço de uma semana

As revelações feitas pela investigação jornalística Luanda Leaks já provocaram várias demissões em empresas participadas por Isabel dos Santos, como a NOS, Efacec e EuroBic. Em Angola, as revelações também estão a provocar réplicas em empresas como o Banco de Fomento de Angola (BFA) ou a operadora de telecomunicações Unitel.

Além das demissões, Isabel dos Santos também anunciou que vai deixar de ser acionista da Efacec, onde é acionista maioritária, e do banco Eurobic, onde detém 42,5%.

O Luanda Leaks provocou assim um total 10 demissões no espaço de uma semana: Mário Leite da Silva e Jorge Brito Pereira deixam de ser presidentes do conselho de administração e da assembleia geral da Efacec; Jorge Brito Pereira saiu da sociedade de advogados Uría Menéndez-Proença de Carvalho; O presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento Angola (BFA) renunciou ao cargo nesta instituição, Mário Leite Silva; Três administradores não executivos da operadora de telecomunicações NOS envolvidos no Luanda Leaks renunciaram na quinta-feira aos seus cargos: Mário Leite da Silva, Paula Oliveira e Jorge Brito Pereira, do cargo de presidente do conselho de administração; o líder de fiscalidade da PWC em Portugal, Jaime Esteves, deixou o seu cargo.

 

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