Afinal, Wall Street não tem medo da inflação

Os principais índices bolsistas norte-americanos fecharem em alta, apesar de a inflação ter saltado para os 5%. O Standard & Poor’s 500 fixou mesmo um máximo de sempre.

Depois de muitos dias em que a perspetiva de uma forte subida da inflação homóloga para os 5% era apontada como uma das causas de dias e dias de quedas do mercado, no dia em que a inflação fixou conhecida, os mercados subiram na sua generalidade.

O Dow Jones fechou a somar 0,06%, para se fixar nos 34.466,24 pontos; o Standard & Poor’s 500 avançou 0,47%, para 4.239,18 pontos, o que constituiu um recorde de fecho; e o tecnológico Nasdaq Composite valorizou 0,78% para se fixar nos 14.023,33 pontos.

O foco dos investidores estava nos dados do índice de preços no consumidor em maio, dados a conhecer pouco depois da abertura: o IPC aumentou 0,6%, depois de ter subido 0,8% em abril. Mas, apesar de permanecerem os receios de uma inflação persistente, o mercado subiu, com os analistas a dizerem desta vez que os investidores estão convencidos de que o aumento da inflação é um dado passageiro. Por outro lado, dizem ainda, a inflação surge porque o alinhamento da administração Biden com o regresso do desenvolvimento da economia está a dar resultado.

Mais ainda, este aumento permite antever que o Fed pode não reduzir os estímulos este ano, mesmo que o banco regulador não tenha um grande apresso pelo aumento exagerado da inflação.

“Os recentes dados do mercado laboral nos Estados Unidos são um sinal positivo de que a retoma está a acelerar no país”, disse à agência Reuters uma analista da Rystad Energy, Louise Dickson.

“Os números foram um pouco mais do que o esperado, mas não muito fora da faixa. Não acho que isso vá mudar a visão do Fed de manter as taxas muito baixas”, disse Mark Grant, da B. Riley Financial igualmente citado pela Reuters.

Os comentários otimistas da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, sobre a inflação transitória da Zona Euro e a melhoria das tendências económicas também ajudaram a sustentar o sentimento positivo do mercado ao longo do dia.

Recomendadas

CMVM recebeu 192 reclamações nos primeiros seis meses, menos 6% que no semestre anterior

No primeiro semestre de 2021, os investidores reclamaram menos 12% à CMVM face ao mesmo período do ano anterior, num total de 192 queixas que visaram 28 entidades, segundo o relatório do supervisor.

PremiumBCP junta-se ao Novo Banco e CGD na ação contra ENDE

Na conferência de apresentação de resultados, onde o banco registou uma queda dos lucros de 84% para 12,3 milhões, Miguel Maya disse que BCP “toma todas as iniciativas” para recuperar crédito.

Amazon castiga Wall Street na última sessão de mais um mês de ganhos

O dia terminou com quedas nos três índices, com o sector tecnológico a sofrer com os resultados aquém do esperado da Amazon. A gigante tecnológica ultrapassou os 100 mil milhões de dólares de receita pelo terceiro trimestre consecutivo, mas não chegou aos 115 mil milhões antecipados pelos analistas.
Comentários