Mário Centeno: “Agora não é o momento para uma crise existencial” na União Europeia

Na primeira entrevista após ter apresentado a demissão do Governo e do Eurogrupo, Mário Centeno pede que haja coordenação entre os Estados-membros para resolver a crise no bloco europeu enfatizando que agora não é o momento para discutir se a Comissão deve ter mais poderes ou os Estados-membros terem menos.

Cristina Bernardo

“Mantenham os ministros das finanças acordados, sempre”, foi o principal conselho deixado por Mário Centeno ao sucessor na liderança do Eurogrupo, numa entrevista à newsletter “Brussels Playbook”, publicada pelo “Politico“, esta quinta-feira. A recomendação é uma referência às famosas reuniões do ex-ministro das Finanças português que, por norma, se estendiam por longos períodos de tempo, algumas até pela madrugada dentro.

Nesta primeira entrevista depois de ter apresentado a demissão de ambos os cargos, no dia 9 de junho, o ainda presidente do órgão que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro considera que o contexto atual da pandemia deverá garantir uma eleição rápida do seu sucessor. “O ambiente atual é politicamente mais difícil por causa da crise do Covid, pelo que deve haver um sentido de urgência que não havia em 2017”, explicou Centeno.

O presidente demissionário, que abandona o cargo em julho, admite sair com grandes esperanças de que a crise do coronavírus leve a uma coordenação económica significativa, e eventualmente até a um orçamento real e permanente da Zona Euro. O Conselho Europeu vai reunir-se, esta sexta-feira, para discutir a proposta do fundo de reconstrução europeu no valor de 750 mil milhões de euros (500 mil milhões em subsídios e 250 mil milhões em empréstimos) para ajudar os países a saírem da crise.

“Estamos a lidar com economias e incentivos. Se querem algo relevante, precisamos de uma dimensão orçamentária para essas recomendações. Já a temos e não podemos perder essa oportunidade ”, afirmou, considerando ainda que “agora não é o momento para uma crise existencial” na União Europeia (UE).

Ao que tudo indica, a Suécia, Dinamarca, Holanda e Áustria deverão rejeitar o acordo proposto por Bruxelas, um impasse que aos olhos de Centeno não ocorre na melhor altura dado que agora não é o momento para discutir se a Comissão deve ter mais poderes ou os Estados-membros terem menos. “Isto não é sobre instituições. As instituições existem e têm de desempenhar os seus papéis”, indicou.

Apesar de tudo, Centeno mostrou-se confiante de que o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, conseguirá um acordo: “Todos sabemos que isto é altamente exigente em termos do exercício das negociações. É duro”, indicou. Mas reiterou: “Tenho a certeza de que ele vai conseguir.”

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