‘Águias’ vão a votos. O que propõem os oponentes de Vieira para a gestão do clube e da SAD?

Num ano de grande dificuldade, Luís Filipe Vieira nunca enfrentou tanta concorrência para se manter na presidência dos ‘encarnados’. Como seria de esperar, João Noronha Lopes e Rui Gomes da Silva têm dirigido muitas críticas à gestão do atual líder das ‘águias’ e prometem outro rumo para o SL Benfica em várias vertentes. Conheça melhor os candidatos e as propostas que vão a votos esta quarta-feira.

Football Soccer – Benfica v Besiktas – Champions League – Luz stadium, Lisbon, Portugal – 13/9/16. Benfica’s Franco Cervi celebrates after scoring a goal. REUTERS/Pedro Nunes EDITORIAL USE ONLY. NO RESALES. NO ARCHIVE.

Nunca nenhum presidente tinha estado tantos anos à frente dos destinos do SL Benfica e pela primeira vez em 17 anos de liderança quase incontestada, Luís Filipe Vieira vai enfrentar vários candidatos nas eleições dos ‘encarnados’ que terão lugar a 28 de outubro. Como seria de esperar, João Noronha Lopes e Rui Gomes da Silva têm dirigido muitas críticas à gestão do atual líder das ‘águias’ e prometem outro rumo para o SL Benfica em várias vertentes. Conheça melhor os candidatos e as propostas que vão a votos esta quarta-feira.

Mais quatro anos para Vieira?

O empresário e dirigente desportivo, de 71 anos, já disse que este será não o seu último mandato, como também aquele em que vai ser preparada a sucessão. Fruto da pandemia, a campanha eleitoral coincidiu com a preparação para a época em curso e, coincidência ou não, o SL Benfica fez o investimento mais avultado da sua história: quase 100 milhões de euros.

Luís Filipe Vieira já disse que o principal foco do seu mandato será “a vertente desportiva” colocando a si próprio o desafio de “superar o que foi feito na última década” e que, na opinião do candidato, “foi muito bom”. O presidente que há mais tempo ocupa a ‘cadeira do poder’ na história dos encarnados ‘puxou dos galões’ na apresentação da sua candidatura e recorda que nas últimas sete épocas o SL Benfica “teve resultados financeiros positivos” assim como o “reforço do prestígio internacional”.

Entre as promessas típicas de épocas eleitorais, Luís Filipe Vieira anunciou ainda a criação de conselho estratégico que servirá “para ajudar a pensar em novos desafios para o futuro do Benfica” e, claro, “será constituído por verdadeiros benfiquistas”.

Noronha quer “virar a página”

O gestor e empresário João Noronha Lopes, de 54 anos, lançou-se nestas eleições em julho deste ano e apesar de reconhecer méritos à atual direção, que nos últimos vinte anos “fez crescer o património do clube e investiu na sua organização e formação”, é chegado o momento, no entender do candidato, de “virar a página”.

Neste plano para assumir os destinos do SL Benfica, Noronha Lopes definiu três pilares considerados “fundamentais”: ambição desportiva, a sustentabilidade financeira e os sócios. Do ponto de vista financeiro, o gestor considera que os resultados operacionais do SL Benfica são uma das principais prioridades e o objetivo passa por “impor um rácio de alavancagem financeira que garanta a autonomia e capacidade da Benfica SAD no sentido de satisfazer os seus compromissos perante terceiros, nomeadamente entidades bancárias e credores obrigacionistas”.

Uma das medidas mais emblemáticas de João Noronha Lopes passa pela proposta de limitação de mandatos na presidência do clube. Para o gestor, o cumprimento de três mandatos, sejam estes consecutivos ou alternados, são mais do que suficiente para garantir a transparência na gestão. No entanto, essa limitação não se restringe à direção já que os três mandatos também de servir de bitola para o presidente da mesa da Assembleia Geral e para o presidente do Conselho Fiscal.

Gomes da Silva quer manter talentos

O advogado, de 62 anos, foi o primeiro a entrar na corrida à presidência do SL Benfica e as suas críticas à gestão de Luís Filipe Vieira já datam dos anos em que as verbalizava em programas de televisão.

O ex-vice-presidente dos ‘ encarnados’ acredita que a SAD pode atingir a sustentabilidade financeira através de receitas operacionais, um caminho que, no entender de Rui Gomes da Silva, poderá evitar ou retardar a venda de talentos, algo que poderá resultar em prestações europeias mais sólidas o que no entender do candidato define-se “sucesso desportivo internacional”.

O advogado defende uma política “eficiente” de aquisições de passes de jogadores “elimine desperdícios em contratações e comissões que não trazem qualquer valor acrescentado em termos de qualidade desportivo”.

Na mesma linha, Rui Gomes da Silva pretende “sejam eliminados os dispêndios não produtivos associados a uma estrutura de recursos humanos faraónica e a gastos com serviços de terceiros cuja natureza e utilidade não são evidentes”.

Nesta política de retenção de talentos, o candidato defende que a saída de atletas “considerados estratégicos” só serão admitidas “em circunstâncias excecionais” e quando isso acontecer, a transferência será concretizada pelo valor da cláusula de rescisão e “sem pagamento de qualquer comissão de intermediação”.

Ler mais
Recomendadas

Web Summit. Tóquio2020 vão ser os primeiros Jogos da 4.ª revolução industrial, realça COI

Com medalhas feitas com material eletrónico reciclado, veículos sem condutor com zero emissões poluentes, a rede de quinta geração (5G), a realidade aumentada e a robótica, Tóquio2020 vai “exibir universalidade, sustentabilidade e tecnologia”, e dará uma “mensagem de esperança e resiliência” ao mundo”, assinalou Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), na Web Summit.

UEFA estima perdas de receitas entre seis e 8,5 mil milhões de euros para 2020 e 2021

Andrea Traverso, diretor financeiro do órgão que tutela o futebol europeu deixa ainda o aviso aos principais clubes europeus. “Não podem continuar a pagar os mesmos salários que pagavam antes da pandemia, porque as receitas caíram abruptamente”.

Clubes-Empresa: que ameaças e oportunidades representam? Veja o “Jogo Económico”

Que ameaças e oportunidades se colocam estes investimentos, sobretudo num contexto de crise económica? Este vai ser um dos temas do programa “Jogo Económico”, da plataforma JE TV, desta semana.
Comentários