[weglot_switcher]

AHP defende manifestação de interesse à hotelaria para responder a falta de mão de obra

A vice-presidente da AHP, Cristina Siza Vieira, defendeu que a manifestação de interesse “com condicionantes e limitada no tempo” devia ser a opção.
26 Janeiro 2026, 08h59

A vice-presidente executiva da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, defendeu, no programa Conversa Capital (Antena 1/Jornal de Negócios), o regresso da manifestação de interesse à hotelaria como forma de combater a falta de mão de obra no setor.

Cristina Siza Vieira adiantou que a chamada via verde, instituída pelo Governo, ainda não trouxe “nenhum” trabalhador para o setor. A estimativa aponta que para exista uma necessidade de mão de obra para a hotelaria que se situa entre os 50 mil e os 70 mil trabalhadores. A vice-presidente executiva da AHP contudo refere que “não há” nenhum associado que tenha recorrido à via verde para conseguir esses trabalhadores, porque o método é “demasiado burocrático”. Face a isto Cristina Siza Vieira defendeu que a manifestação de interesse “com condicionantes e limitada no tempo” devia ser a opção.

Cristina Siza Vieira adiantou também que a contratação coletiva tem funcionado para o setor e confirmou que os aumentos em 2026 para a hotelaria vão rondar os 5%. Apesar disse a vice-presidente executiva da AHP considerou que faria sentido consignar, a nível da legislação laboral, “alguns instrumentos ligados à flexibilização do trabalho que agora são negociados com os sindicatos”, e referiu que em termos gerais “a proposta que está em cima da mesa serve bem os empresários”.

Cristina Siza Vieira defende novo PDM para Lisboa

A vice-presidente da AHP respondeu também às críticas de que existem hotéis a mais em Lisboa, e ao facto de PCP, BE e PEV na Câmara de Lisboa defenderem a necessidade de impor um travão ao licenciamento de novos hotéis. Cristina Siza Vieira considerou que o que é necessário, “desesperadamente”, é um novo Plano Diretor Municipal (PDM) de Lisboa para que fique, de vez, definido o que se pretende para a capital. Cristina Siza Vieira admitiu também que neste momento “a oferta que existe em razão da procura e da capacidade do aeroporto aparentemente não faz muito sentido que continue a crescer”, ou seja, os hotéis que existem na capital “são suficientes” para acomodar a procura.

Cristina Siza Vieira referiu ainda que Lisboa entrou em “planalto”, um “plano alto”, porque “há sinais claros que abrandou e que em 2026 irá abrandar mais”, e adiantou que em termos gerais, 2026 “será um ano de consolidação e não de crescimento”.

A vice-presidente executiva da AHP defendeu que as limitações à entrada no aeroporto de Lisboa “não favoreceram” a procura, mas ainda assim considera que, com a “travagem a fundo” no sistema de acesso, foi possível gerir o problema da reputação, ou falta dela, junto dos mercados, nomeadamente no mercado americano.

Relativamente à TAP a vice-presidente executiva da AHP entende que seria uma “tonteria” ficar sem o hub e, nesse sentido, rejeita a compra pela IAG.

Cristina Siza Vieira adiantou que apesar de, em 2026, a hotelaria não esperar crescimento, os preços “também não vão baixar”, exceto se “começarmos a ter uma quebra grande resultante da instabilidade geopolítica”. A vice-presidente executiva da AHP refere também que, ao contrário do que aconteceu nas restantes áreas do turismo, na hotelaria tem havido deflação.

A vice-presidente executiva da AHP referiu ainda que apesar do contexto de abrandamento e de ainda existirem unidades a fazer pagamentos referentes a empréstimos contraídos na altura da pandemia, “não vê que haja necessidade” de medidas financeiras de apoio, à semelhança daquelas que foram anunciadas esta semana pelo Governo para a restauração.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.