AHRESP rejeita restrições no apoio aos sócios-gerentes

A associação do setor da hotelaria e restauração considera a medida “a maior injustiça” para com os empresários do setor.

Cristina Bernardo

A AHRESP, Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal considera positivo o apoio universal para Sócios-Gerentes, mas “defende que não pode existir qualquer restrição no acesso ao mesmo”, diz aquele organismo em comunicado que enquadra as decisões do Conselho de Ministro desta quinta-feira.

“De acordo com o formulário que se encontra disponível, os sócios-gerentes que usufruíram da isenção de contribuições para a Segurança Social durante o período em que a sua empresa esteve em lay-off simplificado ficam impedidos de aceder ao Apoio Extraordinário à Redução da Atividade Económica relativo a esses meses”, uma medida “da maior injustiça e severamente castradora para estes empresários”, considera a associação – como aliás já antes tinha dito publicamente.

“É da maior urgência que a Segurança Social reveja estas condições de acesso, de forma a que haja um verdadeiro e real apoio por parte do Governo a estes empresários, que diariamente lutam pela sobrevivência dos seus negócios e pela manutenção de milhares de postos de trabalho”, refere ainda o comunicado – que vai de encontro a exigências em idêntico sentido patrocinadas por diversas associações congéneres da AHRESP mas dedicadas a outros setores.

A associação afirma ainda que “as novas linhas de crédito não são solução para as empresas” e adianta que “o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, assegurou recentemente em entrevista que o Governo está preparado para estender moratórias, flexibilizar o apoio à retoma progressiva e lançar novas linhas de crédito”.

A questão das moratórias ficou resolvida no Conselho de Ministros, mas a “AHRESP reitera a necessidade de apoios a fundo perdido para as empresas. As empresas precisam de incentivos não reembolsáveis (fundo perdido) como reforço da liquidez nas empresas, evitando o sobre-endividamento e, permitindo com isso a sobrevivência das mesmas e a garantia dos seus postos de trabalho”.

Quanto à moratória no crédito bancário, que se vê prolongada até setembro de 2021, a associação refere que, “conforme sempre foi defendido pela AHRESP, o Governo veio anunciar a prorrogação da moratória pública que suspende o pagamento das prestações de crédito das famílias e empresas. Esta medida excecional, que terminava em 31 de março de 2021, passa agora a vigorar até 30 de setembro de 2021”, sendo aplaudida pela associação.

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