AIE revê em baixa procura de petróleo devido a enfraquecimento da aviação

É a primeira revisão em baixa em meses e estima que a procura será de 91,9 milhões de barris de petróleo por dia em 2020, menos 8,1 milhões do que no ano passado e menos 140.000 barris por dia do que na previsão anterior.

A Agência Internacional de Energia (AIE) reviu esta quinta-feira em baixa as previsões da procura global de petróleo para este ano devido ao enfraquecimento da aviação e a uma redução da mobilidade devido à pandemia de covid-19.

No relatório mensal sobre o mercado petrolífero, a AIE sublinha que esta é a primeira revisão em baixa em meses e estima que a procura será de 91,9 milhões de barris de petróleo por dia em 2020, menos 8,1 milhões do que no ano passado e menos 140.000 barris por dia do que na previsão anterior.

O organismo internacional com sede em Paris também ajusta as estimativas para 2021, para 97,1 milhões de barris por dia, menos 240.000 barris por dia que na previsão anterior.

“A atual incerteza sobre a procura devido à covid-19 e a possibilidade de maior produção significa que o reequilíbrio do mercado petrolífero continua a ser delicado”, afirma a AIE, sublinhando que a aviação, setor chave para o consumo de petróleo, tardará a recuperar.

A análise da AIE está em linha com a da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que na quarta-feira afirmou que o impacto da pandemia na procura mundial do “ouro negro” será pior do que o esperado em julho, com o consumo a cair 9,09% (9,1 milhões de barris por dia) em comparação com 2019.

Só nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a AIE estima um declínio de 10% do consumo em 2020 face a 2019, para uma média de 43,1 milhões de barris por dia, o nível mais baixo desde o início dos anos 90.

Embora a AIE preveja uma melhoria para 45,75 milhões de barris por dia em 2021, este nível será ainda inferior em cerca de 1,9 milhões de barris por dia do que em 2019 devido ao impacto negativo da crise na atividade económica e especialmente na aviação.

A organização acrescentou que embora a produção tenha aumentado em julho em 2,5 milhões de barris por dia, para 90 milhões, depois da Arábia Saudita ter terminado o corte voluntário de abastecimento, houve menos 10,1 milhões de barris por dia do que no ano anterior.

A refinação também apresenta indicadores descendentes, já que no segundo trimestre houve uma queda anual de 11,5 milhões de barris por dia para 69,5 milhões, o nível trimestral mais baixo dos últimos 17 anos.

“O sistema já enfrentava problemas de sobrecapacidade devido a uma acumulação acelerada de novas capacidades nos últimos anos, e a queda da procura provocada pela covid-19 junta novas preocupações às suas margens”, disse a AIE.

A organização recorda que os preços rondam os 40,77 dólares por barril no caso do West Texas Intermediate (WTI), de referência nos EUA, e de 43,22 dólares no caso do Brent, de referência na Europa, longe dos 70 dólares alcançados em janeiro passado.

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