A AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal anunciou que está solidária com todos os agricultores europeus e parabeniza os milhares de agricultores que hoje se manifestaram em Bruxelas, à margem do Conselho Europeu.
“A manifestação pretendeu apelar aos chefes de Estado e, nomeadamente à Comissão Europeia, para que se estabeleça uma Política Agrícola Comum (PAC) ambiciosa para os Jovens Agricultores e para todos os Agricultores Europeus”, refere a AJAP.
“Alertamos ainda para as cautelas necessárias na defesa da Agricultura Europeia no acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul, que pode colocar em risco alguns setores da UE, em particular o da pecuária”, acrescenta a associação.
A manifestação em Bruxelas foi organizada pelo COPA-COGECA e apoiada pelo CEJA – Conselho Europeu dos Jovens Agricultores (do qual a AJAP é membro fundador) o motivo é os agricultores estarem contra um acordo de comércio livre entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).
Além do acordo comercial EU-Mercosul, os manifestantes rejeitam ainda eventuais cortes previstos para a Política Agrícola Comum (PAC) no próximo Quadro Financeiro Multianual (2028-2034).
A manifestação juntou centenas de tratores e milhares de agricultores de vários países que bloquearam as principais vias que dão acesso ao centro de Bruxelas desde a madrugada desta quinta-feira, em protesto contra o acordo com o Mercosul. A manifestação tornou-se violenta.
A AJAP defende que a manifestação “é essencial na defesa da agricultura europeia e também portuguesa, tendo em conta que as escolhas que forem feitas no contexto do orçamento comunitário para o período 2028-2034, terão impactos durante décadas, afetando não só esta geração de Jovens Agricultores, mas também as seguintes”.
“A AJAP apela, há muitos anos, para a necessidade de reformas ambiciosas, colocando a renovação geracional e o impulso dos territórios rurais no centro de uma estratégia nacional e europeia”, refere a associação que considera “ser essencial garantir uma maior ambição orçamental da PAC, acautelando acompanhamento técnico, evolução tecnológica, digital, investigação e financiamento”.
“É sabido que a agricultura da UE enfrenta múltiplos desafios, que vão desde a crescente volatilidade dos mercados, com implicações nos custos dos fatores de produção e nos preços pagos ao produtor, ao que se acresce uma diminuição de instrumentos para sustentar a transição para a sustentabilidade e a crescente instabilidade geopolítica e comercial.”. acrescenta a AJAP.
A Associação diz que “percebe a necessidade de a UE prosseguir uma estratégia de armamento no seu todo, devidamente articulada entre países, pois a nossa soberania e defesa não podem ficar na dependência de outros. Porém, a atividade agrícola, pecuária e as dinâmicas que caraterizam os territórios rurais (infelizmente, em declínio ao longo dos últimos anos) também são estratégia de defesa na produção de alimentos para toda a população da UE, e seguramente a base da soberania alimentar, porque o futuro é imprevisível em face da fragilidade política e económica à escala mundial”.
“A PAC não pode ser colocada em causa, e a arquitetura que está a ser desenhada em Bruxelas, coloca em perigo a soberania alimentar, a competitividade e a sustentabilidade, com danos severos para países mais frágeis como Portugal, devido ainda às nossas debilidades no Orçamento do Estado para o setor agrícola. Se nada for feito, muitos dos Jovens Agricultores e a grande maioria dos Agricultores portugueses irão ficar em desvantagem em relação a outros países europeus, agudizando as desigualdades e a competitividade da Agricultura nacional”, refere Firmino Cordeiro, Diretor-Geral da AJAP.
É por isso que a AJAP defende um modelo de compromisso, a que chamam Pacto – Inovação Portugal Rural, que “objetiva rejuvenescer os territórios rurais e dar ímpeto económico (pelo setor agrícola e outras atividades) a estas regiões, não só em Portugal, como também na maioria dos países da UE”. Pois, dizem, “o cenário de envelhecimento das populações nos territórios rurais, o despovoamento, a ausência cada vez maior de jovens e algum abandono não só da agricultura como de um vasto conjunto de atividades não agrícolas nestas regiões, situações agravadas pelos efeitos dos incêndios, associados às alterações climatéricas, veem acelerando a tendência para alguma desertificação que se começa a verificar nos países do sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia)”.
A AJAP tem sido, ao longo dos anos, uma das principais vozes de alerta contra o ‘esvaziar’ dos territórios rurais e promotores de soluções concretas. “Em Portugal, falamos de mais de 75% do País, que vem assistindo a um abandono das atividades económicas, que luta contra o despovoamento, contra o envelhecimento populacional e assiste à saída dos seus jovens que procuram melhores soluções de vida em territórios urbanos”, referem.
“A operacionalização do JER – Jovem Empresário Rural, criada pelo Decreto-Lei n.º 9/2019, e que até hoje ainda não saiu do papel, é cada vez mais uma inevitabilidade, defendida pelas comunidades rurais, periurbanas e urbanas, e cada vez mais equacionada como uma das boas soluções pelo Governo e pelos partidos da Oposição”, sublinha a AJAP que diz ainda que “não temos a menor dúvida de que todo o esforço político necessário por parte do Governo, para a sua implementação, será devidamente compensador para os portugueses, para os territórios rurais e para o País”.
A AJAP garante que “continua mobilizada e empenhada em continuar a afirmar a importância da PAC, dos Jovens Agricultores, dos Territórios Rurais e da salvaguarda do futuro do setor” e que esperam por isso, #um sinal claro dos Governos da Europa, do Conselho Europeu, do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou os líderes da UE de que adiou a viagem ao Brasil para o próximo mês, depois de, a propósito da cimeira que juntou esta quinta-feira, em Bruxelas, os chefes de Governo do bloco, agricultores terem bloquearem ruas com tratores e atirado batatas.
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