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AJAP solidária com todos os agricultores europeus que se manifestaram em Bruxelas

“A manifestação pretendeu apelar aos chefes de Estado e, nomeadamente à Comissão Europeia, para que se estabeleça uma Política Agrícola Comum (PAC) ambiciosa para os Jovens Agricultores e para todos os Agricultores Europeus”, refere a AJAP.
epa12600853 Farmers carry the coffin of agriculture during farmers’ protest in Brussels, Belgium, 18 December 2025. Thousands of farmers from across Europe protested in Brussels, bringing tractors near EU institutions to denounce EU agricultural and trade policies, particularly the EU-Mercosur deal, CAP reforms, and rising regulatory and financial pressures, during an EU leaders’ summit. EPA/OLIVIER MATTHYS
18 Dezembro 2025, 23h08

A AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal anunciou que está solidária com todos os agricultores europeus e parabeniza os milhares de agricultores que hoje se manifestaram em Bruxelas, à margem do Conselho Europeu.

“A manifestação pretendeu apelar aos chefes de Estado e, nomeadamente à Comissão Europeia, para que se estabeleça uma Política Agrícola Comum (PAC) ambiciosa para os Jovens Agricultores e para todos os Agricultores Europeus”, refere a AJAP.

“Alertamos ainda para as cautelas necessárias na defesa da Agricultura Europeia no acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul, que pode colocar em risco alguns setores da UE, em particular o da pecuária”, acrescenta a associação.

A manifestação em Bruxelas foi organizada pelo COPA-COGECA e apoiada pelo CEJA – Conselho Europeu dos Jovens Agricultores (do qual a AJAP é membro fundador) o motivo é os agricultores estarem contra um acordo de comércio livre entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

Além do acordo comercial EU-Mercosul, os manifestantes rejeitam ainda eventuais cortes previstos para a Política Agrícola Comum (PAC) no próximo Quadro Financeiro Multianual (2028-2034).

A manifestação juntou centenas de tratores e milhares de agricultores de vários países que bloquearam as principais vias que dão acesso ao centro de Bruxelas desde a madrugada desta quinta-feira, em protesto contra o acordo com o Mercosul. A manifestação tornou-se violenta.

A AJAP defende que a manifestação “é essencial na defesa da agricultura europeia e também portuguesa, tendo em conta que as escolhas que forem feitas no contexto do orçamento comunitário para o período 2028-2034, terão impactos durante décadas, afetando não só esta geração de Jovens Agricultores, mas também as seguintes”.

“A AJAP apela, há muitos anos, para a necessidade de reformas ambiciosas, colocando a renovação geracional e o impulso dos territórios rurais no centro de uma estratégia nacional e europeia”, refere a associação que considera “ser essencial garantir uma maior ambição orçamental da PAC, acautelando acompanhamento técnico, evolução tecnológica, digital, investigação e financiamento”.

“É sabido que a agricultura da UE enfrenta múltiplos desafios, que vão desde a crescente volatilidade dos mercados, com implicações nos custos dos fatores de produção e nos preços pagos ao produtor, ao que se acresce uma diminuição de instrumentos para sustentar a transição para a sustentabilidade e a crescente instabilidade geopolítica e comercial.”. acrescenta a AJAP.

A Associação diz que “percebe a necessidade de a UE prosseguir uma estratégia de armamento no seu todo, devidamente articulada entre países, pois a nossa soberania e defesa não podem ficar na dependência de outros. Porém, a atividade agrícola, pecuária e as dinâmicas que caraterizam os territórios rurais (infelizmente, em declínio ao longo dos últimos anos) também são estratégia de defesa na produção de alimentos para toda a população da UE, e seguramente a base da soberania alimentar, porque o futuro é imprevisível em face da fragilidade política e económica à escala mundial”.

“A PAC não pode ser colocada em causa, e a arquitetura que está a ser desenhada em Bruxelas, coloca em perigo a soberania alimentar, a competitividade e a sustentabilidade, com danos severos para países mais frágeis como Portugal, devido ainda às nossas debilidades no Orçamento do Estado para o setor agrícola. Se nada for feito, muitos dos Jovens Agricultores e a grande maioria dos Agricultores portugueses irão ficar em desvantagem em relação a outros países europeus, agudizando as desigualdades e a competitividade da Agricultura nacional”, refere Firmino Cordeiro, Diretor-Geral da AJAP.

É por isso que a AJAP defende um modelo de compromisso, a que chamam Pacto – Inovação Portugal Rural, que “objetiva rejuvenescer os territórios rurais e dar ímpeto económico (pelo setor agrícola e outras atividades) a estas regiões, não só em Portugal, como também na maioria dos países da UE”. Pois, dizem, “o cenário de envelhecimento das populações nos territórios rurais, o despovoamento, a ausência cada vez maior de jovens e algum abandono não só da agricultura como de um vasto conjunto de atividades não agrícolas nestas regiões, situações agravadas pelos efeitos dos incêndios, associados às alterações climatéricas, veem acelerando a tendência para alguma desertificação que se começa a verificar nos países do sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia)”.

A AJAP tem sido, ao longo dos anos, uma das principais vozes de alerta contra o ‘esvaziar’ dos territórios rurais e promotores de soluções concretas. “Em Portugal, falamos de mais de 75% do País, que vem assistindo a um abandono das atividades económicas, que luta contra o despovoamento, contra o envelhecimento populacional e assiste à saída dos seus jovens que procuram melhores soluções de vida em territórios urbanos”, referem.

“A operacionalização do JER – Jovem Empresário Rural, criada pelo Decreto-Lei n.º 9/2019, e que até hoje ainda não saiu do papel, é cada vez mais uma inevitabilidade, defendida pelas comunidades rurais, periurbanas e urbanas, e cada vez mais equacionada como uma das boas soluções pelo Governo e pelos partidos da Oposição”, sublinha a AJAP que diz ainda que “não temos a menor dúvida de que todo o esforço político necessário por parte do Governo, para a sua implementação, será devidamente compensador para os portugueses, para os territórios rurais e para o País”.

A AJAP garante que “continua mobilizada e empenhada em continuar a afirmar a importância da PAC, dos Jovens Agricultores, dos Territórios Rurais e da salvaguarda do futuro do setor” e que esperam por isso, #um sinal claro dos Governos da Europa, do Conselho Europeu, do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou os líderes da UE de que adiou a viagem ao Brasil para o próximo mês, depois de, a propósito da cimeira que juntou esta quinta-feira, em Bruxelas, os chefes de Governo do bloco, agricultores terem bloquearem ruas com tratores e atirado batatas.

 


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