Há uma tendência que está a preocupar os analistas da economia alemã e por arrasto, todos aqueles que analisam o comportamento das principais economias europeias: os alemães trabalham cada vez menos horas. De acordo com os analistas, esta é uma tendência à qual não tem sido dada a atenção devida mas que parece cada vez mais relevante para explicar a travagem da economia mais importante da Europa.
“Se a produtividade está estagnada e as horas de trabalho por empregado são cada vez menores, vai continuar a ser cada vez mais complicado aumentar o PIB”: este é o sério aviso que foi lançado por um dos principais economistas da Deutsche Bank num relatório recente.
Num denso documento, o banco de investimento alemão faz uma profunda análise da economia alemã e a complexa situação que enfrenta. “A Alemanha encontra-se numa encruzilhada na sua história pós-guerra. A prosperidade económica das últimas décadas está pressionada por mudanças de paradigma, geopolíticos e tecnológicas. Os anos dourados da globalização terminaram e as dificuldades, cada vez maiores no comércio mundial estão a expor as fraquezas estruturais do país”, destaca o relatório.
Apesar de terem sido uma das economias mais poderosas da União Europeia (UE), focada na produtividade e competitividade, este declínio de horas trabalhadas pode afetar a economia, numa altura em que esta tem registado dificuldades.
Em 2024, esta economia registou uma contração pelo segundo ano consecutivo, com o Produto Interno Bruto (PIB) a descer 0,2%. Para este ano, as previsões do Ifo apontam para um crescimento de apenas 0,2%, enquanto para o próximo ano a expectativa é de que a economia cresça 0,8%.
Os dados mostram que no ano passado esta economia foi a que registou a taxa de crescimento mais baixa entre os países industrializados, G7.
Entre os países da OCDE, a Alemanha é o país onde se trabalha menos horas semanais, com os alemães a trabalharem uma média de 25,7 horas semanais, sendo que a média da OCDE esta nas 33,5 horas.
Atualmente, os alemães têm valorizado, cada vez mais, o seu tempo de lazer e menos o seu tempo de trabalho. Contudo, o relatório da Deutsche Bank aponta para a existência de obstáculos e travões às semanas de trabalho com mais de trinta horas, o que pode tornar a situação alarmante.
“Uma recuperação económica precisa de ser acompanhada por reformas complexas do lado da oferta. São necessárias mudanças profundas para desenvolver a economia a uma trajetória de crescimento sustentável. Estas reformas vão exigir uma grande demonstração de força política, tanto na Alemanha como na UE”, afirma o banco alemão.
O envelhecimento da população na Alemanha é também um fator que contribuiu para agravar este problema. De acordo com os dados, até ao final da década, pelo menos um em cada quatro alemães vai ter mais de 65 anos, ou seja, já estão a chegar ao fim da sua idade produtiva.
“A política económica não pode impedir o envelhecimento da sociedade alemã, mas a adaptação a esta mudança demográfica terá, em última análise, de ser mais dinâmica, ligando mais estreitamente a idade da reforma ao aumenta da esperança de vida”, refere o Deutsche Bank.
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