Alfredo Casimiro diz que pedido de insolvência vai “agravar a situação da Groundforce” (com áudio)

A TAP pediu a insolvência da Groundforce, que se encontra em processo de venda. O acionista privado da empresa critica a decisão da companhia aérea.

O acionista privado da Groundforce (GF) avisa que o pedido de insolvência da empresa feito pela TAP vai agravar a situação da companhia aérea.

“A  decisão da TAP de requerer, com o patrocínio do Governo, a declaração de insolvência da SPDH Groundforce não resolve o problema da empresa. Pelo contrário, agrava-o e adia uma solução”, disse Alfredo Casimiro em comunicado divulgado esta terça-feira, 11 de maio.

A Groundforce não é um problema para a TAP. A TAP, sim, é um problema para a GF. Nenhum dos graves problemas que a TAP enfrenta se resolverá à custa da GF. É, por isso, irresponsável, agravar a situação da GF porque, inevitavelmente, isso agravará também a situação da TAP e de todos os trabalhadores deste universo”, denunciou o dono da sociedade Pasogal que detém 50,1% da GF, com os restantes 49,9% a pertencerem à TAP.

Alfredo Casimiro considera que neste processo o Governo “teve sempre dois pesos e duas medidas, senão mesmo duas caras. Usou uma cara para lidar com uma empresa pública que nacionalizou, a TAP, e outra cara para lidar com uma empresa privada que parece querer nacionalizar, a Groundforce. Tal comportamento é inaceitável num estado de direito. A crise pandémica afetou, de igual modo, empresas públicas e privadas. Reiteramos que é, portanto, inaceitável que um Governo use dois pesos e duas medidas, consoante gosta ou não gosta de uma empresa, respeita ou não respeita um empresário”.

Destacando que a TAP é uma “empresa viável e estratégica para Portugal, que dá emprego a 2.400 pessoas, está hoje em risco por causa de decisões precipitadas como esta, fruto de impulso e tomadas em nome da ambição política e não do superior interesse do país. As consequências são óbvias: com a instabilidade que está a ser criada, ambas as empresas, TAP e Groundforce, terão menos condições para iniciar o processo de recuperação económica e financeira à medida que a conjuntura o for permitindo”.

No comunicado divulgado na segunda-feira, a TAP justifica as razões para avançar para o pedido de insolvência: “Face ao agravamento da situação financeira da SPdH; à inexistência de soluções credíveis para a possibilidade de obtenção de financiamento por parte desta sociedade (em particular, na sequência da recusa de financiamento e de prestação de garantia por parte da Caixa Geral de Depósitos e do Banco Português de Fomento); e à falta de condições que, na perspetiva da TAP, o acionista maioritário da SPdH, por si ou através dos membros que indicou para o órgão de administração da SPdH, tem para restabelecer a confiança dos seus credores; a TAP entendeu que o requerimento de declaração de insolvência da SPdH é a solução que melhor protege a generalidade dos stakeholders desta sociedade”.

A TAP garante que o pedido de insolvência não vai paralisar a operação da Groundforce, nem vai travar o processo de venda da empresa de ‘handling’.

No sábado, Alfredo Casimiro anunciou ter colocado à venda a totalidade da sua participação na Groundforce, tendo mandatado o banco Nomura para assessorar o processo de venda.

O empresário, que ocupa os cargos de presidente executivo e presidente do conselho de administração da companhia, pede que seja dada “especial atenção” aos belgas da Aviapartner por terem a capacidade financeira para assegurar o futuro da empresa.

“Dei instruções para que seja dada especial atenção à Aviapartner, empresa belga que beneficiou recentemente de um relevante apoio económico e financeiro do Estado Belga, no âmbito das ajudas extraordinárias ao setor da aviação, com vista a minorar as consequências da crise pandémica”, segundo o comunicado.

“Por via desse apoio, a Aviapartner estará melhor capitalizada e em melhores condições para garantir a viabilidade futura da Groundforce e a manutenção dos postos de trabalho”, acrescenta.

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