Almofada financeira de 680 milhões impede subida da eletricidade regulada em 2022 (com áudio)

Além das medidas destinadas às famílias, também vão ser destinados 135 milhões de euros que vão permitir reduzir as tarifas de acesso às redes para os consumidores industriais. Várias das medidas que vão contribuir para travar a subida da luz já estavam previstas.

O Governo anunciou na terça-feira uma almofada financeira 680 milhões de euros para impedir a subida da eletricidade regulada em 2022, que abrange mais de 900 mil famílias.

“Não haverá aumento do preço da eletricidade para consumidores domésticos em 2022 no mercado regulado, que representa 20% dos consumidores”, disse o ministro do Ambiente na terça-feira, 21 de setembro, em conferência de imprensa em Lisboa.

O Governo anunciou que esta subida da eletricidade pode ser travada através de várias medidas, algumas das quais já estavam previstas ou aprovadas: a eliminação do sobrecusto com a central a carvão do Pego vai gerar uma poupança de 100 milhões face a este ano; a revogação do mecanismo de interruptibilidade, um subsídio pago à indústria nacional que vai deixar de existir; as receitas extra que o Fundo Ambiental está a gerar este ano com o aumento das preços das licenças de CO2 no valor total de 270 milhões de euros; mais 110 milhões da receita da taxa CESE; mais 250 milhões com origem em sobreganhos gerados pela eletricidade renovável. Tudo junto, isto vai permitir uma redução de 13% na tarifa de acesso às redes, uma das componentes da fatura mensal da eletricidade.

João Pedro Matos Fernandes também anunciou que o Governo vai  aprovar medidas destinadas para reduzir os preços para os clientes industriais (muito alta tensão, alta tensão, média tensão) e  num total de 135 milhões de euros destinados a alcançar uma descida adicional de 21% nas tarifas de acesso às redes a que se junta a descida de 13% derivada dos 680 milhões de euros.

Este anúncio acontece depois de os preços da eletricidade no mercado regulado terem vindo a bater sucessivos recordes nos últimos meses. Para esta quarta-feira, está previsto que o preço grossista da eletricidade no mercado ibérico volte a subir para 175,87 euros por megawatt hora.

A ERSE apresenta no próximo 15 de outubro a sua proposta tarifária para 2022, com a decisão final a ser anunciada a 15 de dezembro.

Recorde-se que a 15 de setembro a  indústria portuguesa exigiu que o Governo aprovasse soluções para travar o impacto da subida do preço da eletricidade que ameaça aumentar os preços de bens e serviços.

Uma das medidas defendidas pelo Conselho Nacional das Confederações Patronais (CNCP) era precisamente que o executivo de António Costa recorra à almofada financeira do Fundo Ambiental para travar este aumento.

“Os custos de energia são insustentáveis. Todo o país e a indústria em geral estão a ser muito afetados com estes exponenciais custos”, começou por dizer António Saraiva presidente da CIP num evento da CNCP em Lisboa.

“Temos vindo a falar com o Governo: ministro do Ambiente, secretário de Estado da Energia e ministro da Economia, para se aliviar este efeito catastrófico. Estamos a trabalhar nesse sentido. Tenho esperança que o Governo esteja disposto a isso”, afirmou o responsável na altura.

 

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O ministro do Ambiente anunciou também que as renováveis vão gerar sobreganhos de 250 milhões de euros, valor que também vai contribuir para impedir o aumento da eletricidade no mercado regulado para mais de 900 mil consumidores.
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