Alterações climáticas: Lisboa ameaçada por cheias, seca, subida do nível do mar e calor excessivo

“A erosão continua, o calor excessivo aumenta, a seca meteorológica vai aumentar na zona de Setúbal e as cheias vão atacar o Tejo”, especialmente na região em que o Governo está a planear construir o aeroporto do Montijo, alerta especialista.

Para a apresentação do Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas, que decorreu no Museu Nacional dos Coches, foi apresentado um vídeo de Fernando Medina onde o autarca garantia que as alterações climáticas são “a realidade dos nossos dias” e por isso é urgente agir.

O coordenador do plano, numa parceria liderada pela AML, Sérgio Barroso do Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano (CEDRU) sustentou que este plano tem como objetivo responde a três desafios urgentes: conhecimento, uma vez que é importante perceber como o clima vai evoluir, capacitação, de forma a preparar as instituições, e o planeamento com instrumentos e mecanismos para que a adaptação possa ser concretizada nos próximos anos.

Para isso, o trabalho de análise e pesquisa demorou 22 meses até estar concluído e envolve os 18 municípios que estão introduzidos na Área Metropolitana de Lisboa. Assim, mais de 150 entidades de administração central, o setor privado e o setor cooperativo e associativo decidiram assinar o pacto para a adaptação às alterações climáticas.

Um dos focos no estudo foi conhecer a morfologia da AML e analisar os conhecimentos que têm assolado a região de Lisboa, como é exemplo as cheias e as temperaturas extremas. “As mudanças climáticas não são um problema do futuro”, sustentou o coordenador na sua apresentação do pacto, afirma que atualmente as temperaturas já têm vindo a aumentar de forma considerável.

Com a trajetória ascendente contínua por parte das ondas de calor, segundo estudos nacionais e internacionais, e a subida do nível da água do mar, existem alguns “desafios pela frente”, garante Sérgio Barroso. “A erosão continua, o calor excessivo aumenta, a seca meteorológica vai aumentar na zona de Setúbal e as cheias vão atacar o Tejo”, especialmente na região em que o Governo está a planear construir o aeroporto do Montijo.

“O risco está lá, mas é importante perceber quem está em risco e atuar de forma seletiva”, diz o especialista. Assim, atualmente existem quatro riscos climáticos que a AML quer combater: cheias e inundações, que cada vez se têm sentido mais em alguns concelhos; secas, que vão afetar sobretudo a zona sul; subida do nível do mar, que implica o reforço de ações de manutenção e de proteção da linha atual da costa para diminuir os impactos que já se têm sentido; temperaturas elevadas, cujo objetivo é reduzir a vulnerabilidade das cidades e dos cidadãos.

Desta forma, e com o reconhecimento assumido da emergência climática global e com os objetivos da neutralidade carbónica em mente, foram elaborados 18 planos municipais de diagnóstico e risco, que se destina a cada um dos territórios. Foram ainda elaboradas nove agendas com instrumentos facilitadores da integração da adaptação, onde estão os principais focos da AML.

Com o quadro estratégico já realizado, “resta a implementação municipal, metropolitana e setorial”, onde se vai permitir a integração das intervenções necessárias para cada caso, com um bom quadro de governança metropolitana e local, sendo que esta é “a escala certa para a implementação das ações”.

Sérgio Barroso termina o seu discurso a sublinhar que a “vulnerabilidade climática beneficia da económica, ecológica e social”, sendo preciso “uma AML que melhore os seus recursos atuais” e que “temos de ser mais resilientes à mudança climática”.

Ler mais
Relacionadas

Habitantes do Tejo e Sado em risco de ficar debaixo de água

As consequências mais relevantes para a vida das populações no Tejo e no Sado serão as alterações nas zonas ribeirinhas e os problemas de saúde que se vão verificar por causa das ondas de calor cada vez mais frequentes e extremas.

Europa vai sofrer ondas de calor cada vez mais extremas

Estudo da Agência Ambiental da União Europeia (EEA) prevê que que a Europa venha a sofrer ondas de calor cada vez mais extremas todos os anos.

Do risco de ‘tsunami’ à perigosidade sísmica. Estas são as “quatro graves falhas” do novo aeroporto

Académicos lembram que “faz hoje 264 anos que uma das maiores catástrofes atingiu a cidade de Lisboa, o terramoto de 1 de novembro de 1755”, em que a capital sofreu um abalo sísmico, seguido de ondas de ‘tsunami’, o que resultou em mais de 10 mil mortos, o que “à data terá representado uma percentagem significativa da população da cidade”.
Recomendadas

Sem turistas, canais de Veneza estão mais limpos que nunca

Golfinhos, peixes e cisnes fazem agora parte dos canais de Veneza, que há várias décadas não viam a água tão transparente.

Covid-19: novas recomendações para a gestão de resíduos

Os sacos de lixo devem ser devidamente fechados e colocados dentro de um segundo saco, fechado, e depositado no contentor de resíduos indiferenciados”. Viaturas de recolha e contentores devem ser mais higienizadas. Caso se verifique uma taxa de absentismo que não permita a recolha adequada, e de forma seletiva de todas as frações de resíduos urbanos, preconiza-se a recolha conjunta da fração indiferenciada e da depositada seletivamente, garantindo sempre que a frequência de recolha de resíduos indiferenciados não é prejudicada.

Covid-19: Foram emitidas menos um milhão de toneladas de CO2 por dia

A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou esta semana um relatório segundo o qual a procura global de petróleo deve contrair-se este ano pela primeira vez desde 2009, devido à Covid-19, sendo que estão em causa menos 90.000 barris de petróleo por dia em relação ao ano passado, não ultrapassando os 99,9 milhões de barris por dia.
Comentários