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Alterações climáticas podem acabar com o bacalhau no Mar de Barents

Estudo do Programa de Monitoramento e Avaliação do Ártico lança um cenário catastrófico para a espécie. O jornal “The Guardian” alerta para más notícias para o Reino Unido mas Portugal deve estar alerta.
29 Janeiro 2019, 16h58

O bacalhau pode acabar tendo em conta a perspetiva de uma subida para mais de 6ºC da temperatura das águas no Mar de Barents, entre o norte da Noruega e da Rússia, de acordo com um estudo do Programa de Monitoramento e Avaliação do Ártico, revelado no jornal ‘The Guardian’.

O peixe que é cozinhado em Portugal de ‘mil maneiras’ pode estar em risco devido à séria ameaça das emissões de carbono que, segundo este estudo, podem ter graves implicações na segurança alimentar. É estimado que as reservas de bacalhau do Atlântico Norte no Mar de Barents, entre o norte da Noruega e da Rússia, cresçam para depois caírem para praticamente zero antes do fim deste século, isto se nada for feito no que concerne às alterações climáticas, revela este estudo ao qual o ‘The Guardian’ dá destaque.

Estas previsões foram baseadas num estudo dos efeitos das mudanças climáticas no bacalhau, que pela primeira vez tem em conta a acidificação do oceano como aviso. Este estudo descobriu que a mortalidade de larvas está 75% mais elevada quando expostas a pressões combinadas de dois fatores (causados por emissões), em vez do aquecimento só por si. Como resultado, o número de peixes capturados e vendidos vão diminuir mais rápido que o estimado.

O Mar de Barents é a maior fonte de nutrientes do marisco na parte norte da Europa. Em conjunto com a Islândia, são uma das chaves para a importação de bacalhau para o Reino Unido, que já atingiu as quotas nas suas próprias águas, definidas pela CEE. Cada vez mais peixes do Atlântico estão a migrar para esta região como resultado do aquecimento global, embora esta seja uma zona rica em acidificação no mundo porque a água fria absorve mais dióxido de carbono, o que altera o nível de pH. Este é também o oceano que tem sentido um maior aquecimento das águas, enquanto o aquecimento tenha sido de 1,1º Celsius desde o início da revolução industrial, a zona de reprodução do bacalhau sentiu um aumento de 3,5ºC, ainda que até 4,5ºC seja beneficial para o peixe essencial na alimentação portuguesa.

Martina Stiasny, co-autora do estudo de avaliação do Ártico, afirma que “estamos a tentar mostrar a magnitude do risco e parece bastante significante”, e sublinha que “esta é uma das reservas mais importantes de peixe do mundo. E vai ser um problema para a segurança da alimentação”. A ministra norueguesa do Ambiente, Ola Elvestuen, declarou que o estudo mostrou a urgência em acabar com as emissões ao afirmar em entrevista “esta é mais uma notícia que mostra a necessidade de urgência. Temos de trabalhar para nos mantermos dentro dos 1,5ºC”.

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