Alunos da Universidade de Coimbra testam Covid-19 virtualmente

Estudantes de Medicina da Universidade de Coimbra usam ferramenta de ensino a distância para assistirem pacientes virtuais infetados com o novo coronavírus. A tecnologia é portuguesa e está disponível no mundo.

Catarina Dourado, aluna do 4º ano de Medicina da Universidade de Coimbra, não teve de sair de casa para mergulhar na realidade do doente infetado com o novo coronavírus. No conforto do sofá testou-se num Caso Clínico Virtual desenhado na Universidade de Coimbra e disponibilizado pela Body Interact, uma plataforma inovadora mundialmente, desenvolvida pela empresa Take The Wind. Fez tudo através do computador portátil.

Nesta aula virtual, em que assistiu um paciente com Covid-19, aplicou conhecimentos adquiridos anteriormente na sala de aula. “Tudo se passa como se fosse uma consulta. Chega-nos o doente, temos que identificar os sintomas e a seguir tratá-lo”, explica ao Jornal Económico a também presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra.

O caso que Catarina resolveu teve, como acontece em milhares de situações reais em todo o mundo, o pior desfecho. O homem de 57 anos entrou em paragem cardiorespiratória.

Na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra há 2.754 estudantes, dos quais 2.209 alunos dos mestrados integrados de Medicina e de Medicina Dentária. Tal como Catarina Dourado, todos têm acesso ao Caso Clínico Virtual sobre Covid-19. A porta da Body Interact está igualmente aberta a qualquer estudante de Medicina de qualquer universidade portuguesa ou estrangeira que se inscreva na plataforma, revelou Pedro Pinto, CEO da Take The Wind, ao Jornal Económico.

“Este Caso Clínico Virtual é muito mais do que uma aula interativa. Simula um doente que responde às perguntas, apresenta alterações à auscultação e restante observação, permite realizar exames de diagnóstico, prevenir mais contágios e até melhora quando são aplicados os tratamentos certos”, explica Tiago Alfaro, professor da Faculdade de Medicina de Coimbra e especialista em Pneumologia, que desenhou o caso em colaboração com o professor Filipe Froes, do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

A Covid-19 é o último caso a integrar o portefólio da Body Interact, que Pedro Pinto define como o “simulador de voo da Medicina”. No total são já 18, desde cardiologia, neurologia e trauma a pediatria, obstetrícia e cancro, usando sempre o mesmo sistema fisiológico – o ser humano. O programa de casos clínicos virtuais é coordenado pelos professores Pedro Narra Figueiredo e Filipe Caseiro Alves, responsável do Mestrado Integrado em Medicina.

Aos Casos Clínicos Virtuais sobre pacientes suspeitos de estarem infetados pelo novo coronavírus juntam-se outras soluções de ensino à distância que a faculdade tem desenvolvido em parceria com a Take the Wind. Objetivo? Mitigar efeitos negativos da suspensão das aulas presenciais no âmbito da aplicação do Plano de Contingência para prevenção e contenção de Covid-19.

Segundo Carlos Robalo Cordeiro, Diretor da Faculdade de Medicina da UC, “o recurso à Simulação Biomédica e aos Casos Clínicos Virtuais tem sido progressivamente implementado no ensino-aprendizagem do Mestrado Integrado de Medicina, como ferramenta de grande utilidade no desenvolvimento do raciocínio clínico dos estudantes”. De referir que, fora do contexto do caso Covid-19, a plataforma está disponível para os alunos do 6.º ano de Medicina durante o ano letivo.

A Body Interact conta com engenharia, design e produção 100% portugueses. Pedro Pinto explica ao Jornal Económico que “a plataforma permite o encontro dos alunos com pacientes virtuais que reagem como pacientes reais, devido a um algoritmo fisiológico que demorou anos a desenvolver e que continua em permanente evolução”.

O estudante, ou o médico é confrontado com um doente que tem um problema, como se fosse real. Dispõe dos meios para interagir com o paciente, desde optar por medicações até fazer intervenções. “Pode tomar decisões num ambiente de simulação, o que lhe permite treinar e errar sem prejuízo”, explica.

Antigamente, para se ganhar ‘tarimba’ como médico era preciso estar exposto a situações reais, e isso levava tempo. Hoje, testar virtualmente doenças em doentes virtuais é incontestavelmente um grande passo no ensino da medicina.

Artigo publicado no Jornal Económico de 27-03-2020. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor

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