Ana Catarina Mendes diz que PS teve “sempre disponibilidade” para viabilizar propostas do BE e do PCP

Líder do grupo parlamentar do PS ressalva que o partido negociou as propostas do Orçamento Suplementar com os antigos parceiros à esquerda.

ana_catarina_mendes_ps
José Sena Goulão/Lusa

A líder parlamentar da bancada socialista, Ana Catarina Mendes, rebateu os comentários da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, sobre uma aproximação entre o PS e o PSD e vincou que o partido sempre manteve abertura para viabilizar propostas quer dos bloquistas, quer dos comunistas.

“A líder do Bloco de Esquerda sabe que o PS preparou este Orçamento Suplementar com o Bloco de Esquerda também, com os nossos parceiros que apoiaram ao longo destes anos o caminho que temos vindo a fazer para Portugal. Quer com o Bloco de Esquerda, quer com o PCP houve sempre disponibilidade da parte do PS para viabilizar um conjunto de propostas”, disse Ana Catarina Mendes, em declarações aos jornalistas, esta sexta-feira, na Assembleia da República, após a aprovação do Orçamento Suplementar.

O documento final foi aprovado, com os votos a favor do PS, a abstenção do PSD, do Bloco de Esquerda, do PAN e a deputada não inscrita Cristina Rodrigues e os votos contra do PCP, do PEV, do CDS-PP, da Iniciativa Liberal e do Chega – a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira não esteve presente na votação.

Em declarações aos jornalistas, Catarina Martins disse ter registado uma aproximação entre o Governo e o PSD nas propostas viabilizadas na fase de especialidade do Orçamento Suplementar, mas também de iniciativas fora deste processo, no Parlamento.

Ana Catarina Mendes reforçou que o PS acompanhou “a proposta das offshores, que era pedra de toque neste Orçamento Suplementar, do Bloco de Esquerda”, para defender que o partido negociou com os antigos parceiros da geringonça.

“Não vale a pena olharmos e vermos fantasmas na aprovação deste Orçamento. Este Orçamento do Estado foi aprovado com a responsabilidade que se exigia e as negociações que o PS fez foram sempre com o PCP e com o Bloco de Esquerda, no sentido de darmos resposta àquilo que são os problemas dos portugueses, dos trabalhadores, da proteção social que todos precisam, do reforço do SNS”, vincou.

Questionada sobre o voto contra do PCP, disse olhar “para o voto contra do PCP com o respeito que me merece e que com a resposta que o PCP já deu”, acrescentando que “é leitura contrária que fazemos, mas também entendo que continuamos a ter caminho para andar com o PCP. O que nos move a todos é o bem-estar dos portugueses”.

Ler mais
Relacionadas

Orçamento Suplementar aprovado com a abstenção do PSD, do Bloco e do PAN

A versão final do Orçamento Suplementar foi viabilizada, depois de terem sido colocadas mais de 30 propostas de alteração e inúmeras correções pontuais ao documento durante a fase de especialidade. PCP, PEV, CDS-PP, Iniciativa Liberal e Chega votaram contra.

André Ventura acusa Rui Rio de “não ter comportamento de líder de oposição”

Líder do Chega acusa homólogo social-democrata de estar a formar uma “nova geringonça” com o PS, tendo o objetivo de que lhe “caia do céu” um lugar de vice-primeiro-ministro ou ministro das Finanças.

“Votar contra este Orçamento Suplementar não faz sentido nenhum”, afirma Rui Rio

O líder do Partido Social Democrata refere que se o Orçamento Suplementar não existisse “seria dramático para o país”. Sobre o acordo do Estado com a TAP defende que a privatização da companhia aérea “nunca devia ter sido revertida”.
Recomendadas

PremiumBruxelas recusa-se a deixar cair caso do procurador europeu

Ministra da Justiça vai ser ouvida no Parlamento Europeu a 4 de fevereiro. Eurodeputados querem novas explicações e contam com apoio da Provedoria.

Ana Gomes encerra campanha com apelo ao voto: “Estas são eleições decisivas para a democracia”

A candidata Ana Gomes defende que participação nas eleições, marcadas para dia 24, é essencial para “reforçar a democracia”, que diz estar “sob ataque”, e “barrar os centrões de interesses” que têm prejudicado o desenvolvimento do país.

Pedro Nuno Santos agradece a Ana Gomes por não deixar socialistas “sozinhos” nas presidenciais

O governante apelou ao voto em Ana Gomes e sublinhou que a ex-diplomata é a única que defende o “socialismo democrático” e com a coragem necessária para “enfrentar quem sempre fez e desfez o país”.
Comentários