Anacom diz que serviços isolados são “escassos, mais caros e de menor qualidade” face às ofertas em pacotes (com áudio)

A conclusão do organismo liderado por João Cadete de Matos surgiu após uma análise às ofertas isoladas, ou ‘single play’, a primeira realizada pelo regulador sectorial.

Edifício-sede da Autoridade Nacional de Comunicações, em Lisboa

A Autoridade Nacional de Comunicações fez saber esta segunda-feira que a subscrição de apenas um serviço de telecomunicações isolado (vulgo single play ou 1P) é, tendencialmente, mais cara e a prestação do serviço é de menor qualidade face às ofertas convergentes em pacotes. Além disso, são “relativamente escassas” as ofertas isoladas de serviços dos operadores de telecomunicações, segundo o regulador.

“Nem todos os operadores disponibilizam um leque completo de soluções single play para todos os serviços fixos considerados individualmente. As mensalidades mínimas destas ofertas são, em geral, mais caras quando comparadas com as ofertas em pacote e a sua qualidade tem evoluído menos”, lê-se numa nota da Anacom.

A conclusão do organismo liderado por João Cadete de Matos surgiu após uma análise comparativa das ofertas single play com as ofertas em pacote e “também, nalguns casos, no quadro internacional”.

O regulador constatou que, em 2020, a diferença entre a mensalidade mínima de uma oferta single play com a mensalidade mínima de uma oferta em pacote “era quase sempre superior a 10 euros”. Este valor “duplicava para 20 euros, no caso das ofertas 4P (quatro serviços convergentes) e 5P (cinco serviços convergentes).

A Anacom entende que “a diferença tem vindo a reduzir-se nas ofertas 3P [três serviços convergentes] e a aumentar no caso das ofertas de 4P/5P, que são os pacotes de serviços mais caros”.

Numa comparação internacional, entre 23 telecoms europeus (dos quais 11 com ofertas single play), a diferença entre a soma das mensalidades dos serviços isolados e a mensalidade mínima de um pacote 4P variava entre -33% e +43%. “As ofertas single play só são mais baratas do que os pacotes quando têm atributos muito inferiores aos das ofertas em pacote”, lê-se.

Acresce à diferença de preços diferenças na qualidade da prestação do serviço. Segundo o regulador sectorial, em média, as velocidades de download das ofertas single play do serviço de acesso à internet, em 2020, eram inferiores às velocidades das ofertas em pacote. “A velocidade média de download das ofertas isoladas de acesso à internet efetivamente subscritas pelos clientes residenciais era de cerca de 155 megabits por segundo (Mbps) no caso das ofertas em pacote, enquanto a velocidade das ofertas isoladas era de cerca de 50 Mbps”.

Além disso, nos últimos cinco anos, a velocidade média das ofertas em pacote aumentou cerca de 112%, enquanto a velocidade média das ofertas 1P aumentou apenas cerca de 11%.

Numa comparação internacional de 23 prestadores europeus, entre as 13 telecoms que ofereciam banda larga fixa de forma isolada, os operadores portugueses “encontravam-se entre a 7.ª e a 9.ª posição no ranking das velocidades de download medianas mais elevadas”. As velocidades de download medianas das ofertas isoladas das empresas de telecomunicações portuguesas encontravam-se também entre aquelas que apresentavam maiores desvios negativos face à velocidade de download mediana das ofertas em pacote.

No caso dos serviços de televisão, em Portugal, o número médio de canais incluídos nas ofertas efetivamente subscritas pelos clientes residenciais do serviço de televisão por subscrição “era de 72 no caso das ofertas isoladas e de 148 no caso das ofertas em pacote”. Entre os sete prestadores europeus considerados para a análise da Anacom, que oferecem este serviço de forma isolada, os operadores portugueses “com estas ofertas encontravam-se nos 3.º e 5.º lugares no ranking da mediana do número de canais”.

Ao contrário do que acontece no caso dos atributos das ofertas dos serviços fixos, os plafonds de tráfego de dados móveis das ofertas 1P eram superiores aos das ofertas em pacote. Em média, as ofertas individualizadas de internet no telemóvel apresentavam um pacote de tráfego (7 GB) mais elevados do que as ofertas em pacote (3 GB).

plafond médio de tráfego das ofertas 1P de banda larga móvel isolada (14 GB) era também superior ao valor das ofertas em pacote (7 GB). “No caso destes serviços, o número de ofertas 1P, embora tenha iniciado uma trajetória descendente, representa ainda entre 60% e 70% dos acessos móveis”.

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“Os resultados alcançados neste trimestre foram também impulsionados pelo desempenho consistente do negócio fixo, com os clientes de banda larga a atingirem 814 mil (+9,6% em termos homólogos) e os clientes de televisão a totalizarem 749 mil (+10,3% homólogos)”, adianta.
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