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ANAV favorável à privatização da TAP, mas com premissas inegociáveis

A associação pede respeito por todos os stakeholders, sobretudo as agências de viagens – que geram cerca de 40% das reservas, apelando a que sejam ouvidos e protegidos durante o processo.
11 Julho 2025, 11h32

No seguimento do anúncio de privatização de 49,9% da TAP dado a conhecer pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, a ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens – “mostra-se favorável à decisão, mas apresenta algumas condições inegociáveis que devem ser respeitadas para que o processo seja benéfico para o país”, refere aquele organismo em comunicado.

“Num passado bem recente, a ANAV já se havia mostrado favorável à privatização da TAP e nesta fase, mantendo a coerência de posições anteriores, reforça agora o apoio a esta decisão. Contudo, a associação identifica o cumprimento de premissas-base e, para o efeito, defende a inclusão de cláusulas contratuais obrigatórias”.

A primeira é a garantia da manutenção do hub em Lisboa: “a associação é contra qualquer cenário que retire o hub de Lisboa em benefício de outros, como por exemplo Madrid. Esta ameaça pode ser mitigada no contrato de venda – desde que este seja bem estruturado”.

Em segundo lugar, a associação defende a “defesa dos interesses dos stakeholders – Reforçar que a privatização só é válida se se salvaguardar todo o ecossistema envolvido em torno daTAP, nomeadamente as agências, hotelaria, restauração, eventos e infraestruturas aeroportuárias”.

“Apelar à inclusão formal dos agentes de viagens no processo decisório — garantindo participação significativa na definição de contratos e processos pós-privatização; e a monitorização próxima do processo – “com o objetivo de impedir que sejam ignorados os interesses dos que trazem turistas e movimentam a economia (stakeholders já mencionados em cima)”, são as duas restantes premissas.

Miguel Quintas, presidente da ANAV, ressalva, citado pelo comunicado, a importância de se respeitar os que ajudam a fazer da TAP um dos maiores ativos do país: “É impossível levar a bom porto um processo de privatização da TAP sem ter em consideração, sem ouvir, todos os restantes protagonistas que, juntamente com a companhia aérea, fazem do Turismo português uma referência mundial. Neste sentido, mantendo a linha de coerência habitual, somos a favor da privatização, mas apelamos ao bom-senso dos decisores para que tenham em conta todos os que fazem parte do ecossistema”.

A ANAV surgiu para dar resposta às agências de viagens durante o período da pandemia de COVID-19, com o objetivo de encontrar soluções eficazes para as necessidades das suas associadas, no que diz respeito a apoios estatais e comerciais. Atualmente, a agenda da ANAV tem evoluído em linha com os novos desafios do mercado e com o intuito de defender os interesses dos seus associados, nomeadamente procurando desenvolver mais ações no terreno, garantindo mais proximidade e proatividade para encontrar soluções mais pragmáticas assentes em relações estreitas com as entidades públicas e os decisores nacionais.

A ANAV apresenta-se como “uma associação renovada, inovadora e empreendedora, determinada em promover o crescimento e o desenvolvimento do subsetor das Agências de Viagens, reforçando a sua representatividade e exigindo o reconhecimento da sua importância na dinamização do turismo e da economia em Portugal”.

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