André Ventura convida Viktor Orbán para congresso do Chega e desafia-o a abandonar PPE

Carta do presidente do partido português faz referência à “admiração pessoal” pelo primeiro-ministro da Hungria e à “proximidade ideológica” entre o Fidesz e o Chega, cujo congresso nacional decorre em Évora entre 19 e 20 de setembro. Ventura também prepara encontros com Marine Le Pen e Matteo Salvini, já enquanto candidato presidencial.

Mário Cruz/Lusa

O presidente do Chega, André Ventura, escreveu uma carta a Viktor Orbán em que convida o primeiro-ministro húngaro a estar presente no congresso nacional do partido, que decorrerá em Évora a 19 e 20 de setembro. Na missiva, a que o Jornal Económico teve acesso, o líder e deputado único do Chega faz referência à “proximidade ideológica” do partido com o Fidesz, realçando que esse partido “deveria pertencer de pleno direito” à família política europeia Identidade e Democracia (ID) e não ao Partido Popular Europeu (PPE), “agremiação que já demonstrou estar refém dos piores e mais obscuros interesses que gravitam em Bruxelas”.

Apresentando o Chega como “uma das forças políticas mais representativas dos portugueses”, com base nas intenções de voto nas sondagens mais recentes, Ventura recorda que o facto de o Chega integrar a ID – até agora dominada pela Liga, do ex-vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini, e pela Reunião Nacional, da ex-candidata presidencial francesa Marine Le Pen – “nunca impediu os contactos exploratórios com partidos e protagonistas de outras forças políticas europeias, como o PPE, quando se justificasse a proximidade política, ideológica ou a importância de batalhas conjuntas a nível europeu e na salvaguarda das nações europeias”.

Em nome da “admiração pessoal” por Orbán e da “proximidade ideológica que partilham o Chega e o Fidesz em múltiplos assuntos”, o presidente do Chega enviou a carta nesta segunda-feira, em inglês e português. Apesar de o ex-eurodeputado português Mário David ser um dos conselheiros mais próximos do primeiro-ministro da Hungria, tendo coincidido com Ventura na militância no PSD, o convite seguiu através de canais privilegiados da ID, numa estratégia de aproximação ao polémico governante, que mantém uma relação extremamente tensa com o PPE e tem ouvido sucessivas críticas relacionadas com ameaças ao primado do estado de Direito no seu país.

A eventual presença de Viktor Orbán no congresso do Chega insere-se numa aposta de internacionalização do Chega, que recentemente aderiu à ID. André Ventura está a preparar encontros com Marine Le Pen e Matteo Salvini depois de suspender o mandato de deputado – que será assumido pelo vice-presidente do partido, Diogo Pacheco de Amorim, que no período revolucionário se juntou ao MDLP, movimento de oposição anticomunista ligado a António de Spínola, e mais tarde se aproximou ao CDS e à Nova Democracia – para se dedicar à candidatura à Presidência da República, na qual espera, no mínimo, forçar Marcelo Rebelo de Sousa a uma segunda volta nas eleições de janeiro de 2021.

Por seu lado, o Fidesz encontra-se suspenso do PPE (no qual se integram os eleitos pelo PSD e CDS) devido à atuação do executivo de Viktor Orbán, mas os seus 12 eurodeputados fazem com que tenha uma das maiores delegações do principal grupo do Parlamento Europeu, só atrás da CDU da chanceler alemã Angela Merkel e do PP do líder da oposição espanhola, Pablo Casado. Uma eventual “transferência” do partido hegemónico na política húngara para a ID, que conta atualmente com 76 mandatos, aumentaria ainda mais a influência da bancada mais à direita em Estrasburgo e significaria um maior peso do grupo na Europa de Leste, onde neste momento só conta com dois eurodeputados checos e um estónio.

Apesar das recorrentes polémicas em que se vê envolvido e de ser apontado como um expoente de autoritarismo, Viktor Orbán tem aumentado a influência dentro da União Europeia enquanto figura de proa do “Grupo de Visegrado”, o qual tem procurado contrabalançar a preponderância do eixo Paris-Berlim. Algo que levou o primeiro-ministro português António Costa a reunir-se consigo em Budapeste antes do Conselho Europeu em que foi possível aprovar o fundo de recuperação, sem que países como a Hungria e a Polónia alinhassem com as exigências dos “países frugais”.

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