André Ventura mantém os mesmos nomes e demite-se se a direção nacional do Chega for chumbada

Reeleito presidente do partido há duas semanas, com 99,4% dos votos, André Ventura não escondeu o descontentamento após a sua votação ter ficado aquém do objetivo de dois terços de votos favoráveis previsto nos estatutos do Chega.

Mário Cruz/Lusa

O presidente do Chega, André Ventura, vai manter os mesmos nomes na terceira votação para a direção nacional do partido e, ao que o Jornal Económico apurou, apresentará a demissão se os congressistas reunidos na convenção em Évora não viabilizarem a lista que lhes vai voltar a apresentar. Os estatutos do Chega obrigam a que os órgãos nacionais sejam aprovados na convenção por dois terços do total de votos, e na segunda votação, realizada nesta tarde de domingo, Ventura ficou a oito votos desse objetivo, com 219 congressistas a favor e 121 contra.

A possibilidade de abandonar a liderança do partido, apenas duas semanas após ser reeleito em eleições diretas, obtendo 99,4% dos votos, tornou-se evidente quando Ventura não encondeu o desgaste ao dirigir-se aos congressistas, após a segunda votação. Acabaria, no entanto, por ser interrompido por apoiantes e disse que apresentaria uma terceira lista.

A primeira lista foi chumbada de manhã, com apenas 183 votos a favor e 193 contra, revelando que os cinco vice-presidentes – além da recondução de Diogo Pacheco de Amorim, Nuno Afonso e José Dias, Ventura escolheu os militantes recém-inscritos Gabriel Mithá Ribeiro e Tanger Correia – e os oito vogais encontraram anticorpos entre os congressistas.

Perante isto, André Ventura apresentou no início da tarde uma segunda lista com uma única alteração: em vez do lugar de vogal reservado a um elemento do PPV – Partido Cidadania e Democracia Cristã, que se encontra em processo de fusão com o Chega, apareceu Rui Paulo Sousa, que foi candidato a deputado pelo Aliança, tal como outro novo vogal, Tiago Sousa Dias.

 

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